Executivo decidiu retomar consultas para mapear os segmentos mais atingidos e definir eventuais medidas de apoio, repetindo a estratégia adotada após o primeiro tarifaço, em julho de 2025 O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para fazer, nesta terça-feira (21), uma bateria de reuniões com entidades de setores afetados pela imposição de uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos. A medida do escritório de comércio americano entra em vigor nesta quarta-feira (22). Como mostrou o Valor na semana passada, o Executivo decidiu retomar consultas ao setor privado para mapear os segmentos mais atingidos e definir eventuais medidas de apoio, como o Plano Brasil Soberano, repetindo a estratégia adotada após o primeiro tarifaço, em julho de 2025. Às 10h, o vice-presidente Geraldo Alckmin recebe o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, entre outros dirigentes da entidade. Também é esperada, por volta das 17h, uma reunião ampliada entre os ministros Márcio Elias Rosa (Mdic) e Dario Durigan (Fazenda) com representantes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A formalização do tarifaço ocorreu na noite da última quarta-feira (15), quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicou a resolução que estabelece a tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. A medida é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, na qual o USTR acusa o Brasil de práticas comerciais injustas. As alegações incluem o etanol, o desmatamento no país, o Pix e a venda de produtos falsificados em centros de comércio na Rua 25 de Março. A estimativa da equipe econômica é de que a sobretaxa atingirá cerca de 15% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 5,8 bilhões com base em dados de 2025. Segundo dados de 2024, antes da primeira rodada de tarifas anunciada por Donald Trump, o impacto chegaria a 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos (US$ 7,4 bilhões). — Foto: Divulgação/Porto de Santos