Transferência de controle territorial realizada nesta terça-feira representa o primeiro teste do plano mediado pelos EUA Soldados aguardam na entrada da vila de Zawtar al-Gharbiyeh, no sul do Líbano , enquanto tropas libanesas se posicionam na área após a retirada das forças israelenses, conforme um plano mediado pelos EUA, em 21 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Zohra Bensemra Tropas do Exército libanês começaram a se deslocar nesta terça-feira para a cidade de Zawtar al-Gharbiyeh, no sul do Líbano, após a retirada das forças de Israel da área, informou uma alta autoridade de segurança libanesa. A movimentação faz parte de um plano mediado pelos Estados Unidos. O plano prevê que o Exército libanês confisque armas do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em partes do sul do Líbano, enquanto as tropas israelenses realizam uma retirada gradual. Os militares israelenses informaram na segunda-feira que o plano, chamado de programa de zonas-piloto, já começou. Nesta terça-feira, não comentaram o assunto. "O programa-piloto serve para testar a capacidade das Forças Armadas libanesas de exercer soberania nas três cidades-piloto, como a única autoridade oficial autorizada a portar armas na região", afirmou uma autoridade militar israelense. Autoridades israelenses, porém, têm manifestado ceticismo quanto à capacidade do Líbano de desarmar o Hezbollah, mas Israel considera o acordo firmado no mês passado um passo essencial para construir a paz com o país no longo prazo. A transferência de controle territorial realizada nesta terça-feira representa o primeiro teste do plano, que o governo libanês espera que permita restabelecer seu controle sobre uma faixa de território de cerca de 10 quilômetros de profundidade no sul do país que continua ocupada por tropas israelenses. Dezenas de vilarejos nessa região foram arrasados e a infraestrutura pública foi destruída, incluindo hospitais, usinas de energia e estações de bombeamento de água. Dezenas de milhares de libaneses que viviam na área ainda não puderam voltar para casa. A mais recente rodada de confrontos entre Hezbollah e Israel começou no início de março, dois dias depois de Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã. O Hezbollah afirmou que sua ofensiva foi realizada em apoio a Teerã. O Exército libanês informou que suas unidades começaram a entrar em Zawtar al-Gharbiyeh, na região de Nabatieh, nesta terça-feira. A força renovou o pedido para que os moradores não retornem à cidade até que a situação de segurança esteja estabilizada e orientou a população a seguir as instruções das unidades militares mobilizadas, por razões de segurança. Uma alta autoridade militar libanesa disse à Reuters que unidades do Exército estão realizando uma varredura na cidade em busca de explosivos não detonados, mas afirmou que ainda há muito trabalho a ser feito antes que a área possa ser considerada segura para o retorno dos moradores. "As equipes de engenharia do Exército entraram em Zawtar al-Gharbiyeh e estamos aguardando novas instruções", disse o prefeito da cidade, Abed Ezzeddin. "Informaremos os moradores assim que a área for considerada segura e estiver sob controle do Exército." Ezzeddin afirmou que a destruição é extremamente extensa. Segundo ele, mais da metade da cidade foi destruída e as casas restantes sofreram danos severos, tornando o local inabitável. O prefeito questionou se os moradores poderão voltar em segurança enquanto as forças israelenses permanecerem na cidade vizinha de Zawtar al-Sharqiyeh, que, segundo ele, é intimamente ligada a Zawtar al-Gharbiyeh e fica a apenas cinco minutos de caminhada. "Como posso ter certeza de que conseguirei entrar em Zawtar al-Gharbiyeh em segurança?", disse Ezzeddin. "Como posso pensar em me estabelecer lá enquanto os israelenses estão logo ao lado, em Zawtar al-Sharqiyeh?" O presidente libanês, Joseph Aoun, deve se reunir ainda nesta terça-feira, em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.