Conversas devem durar três dias e serão as primeiras discussões formais desde que o governo Trump decidiu, em 1º de julho, não prorrogar o pacto comercial regional, em vigor há seis anos Bandeiras dos EUA, Canadá e México tremulam lado a lado em Detroit, Michigan, EUA, em 29 de agosto de 2018 — Foto: REUTERS/Rebecca Cook/Foto de Arquivo Negociadores comerciais dos Estados Unidos e do México se reunirão nesta terça-feira para uma terceira rodada de conversas bilaterais, na tentativa de avançar na revisão do acordo comercial da América do Norte, justamente quando o presidente Donald Trump impõe ao Canadá uma nova série de tarifas punitivas. As negociações, das quais o Canadá não participa, devem durar três dias e serão as primeiras discussões formais sobre mudanças no Acordo Estados Unidos-México-Canadá desde que o governo Trump decidiu, em 1º de julho, não prorrogar o pacto comercial regional, em vigor há seis anos. A decisão iniciou uma contagem regressiva para o encerramento do USMCA dentro de dez anos, a menos que os três países cheguem a um acordo sobre melhorias. Entidades empresariais pediram a Trump que preserve a estrutura trilateral e o acesso amplamente livre de tarifas que sustenta quase US$ 1,6 trilhão em comércio anual. O novo embaixador do México nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, disse na sexta-feira que o país espera chegar a um novo acordo até o fim do ano e que acredita que Estados Unidos e Canadá buscam o mesmo objetivo. “A cada momento que perdemos, acho que estamos perdendo competitividade, participação de mercado e investimentos. Portanto, é do interesse dos três chegarmos logo a uma solução”, afirmou Lazzeri, ex-banqueiro de investimentos e ex-funcionário do Ministério das Finanças. Ele acrescentou que o México compartilha o objetivo do governo Trump de trazer mais atividades industriais para a América do Norte, inclusive para os Estados Unidos. Outra meta importante para o México é obter algum alívio das tarifas de segurança nacional impostas por Trump, de 25% sobre automóveis mexicanos e de 50% sobre produtos de aço e alumínio, medidas que também se aplicam ao Canadá. As negociações ocorrem um dia depois de o governo Trump anunciar novas tarifas sobre quase US$ 20 bilhões em produtos canadenses, em resposta às tarifas retaliatórias de Ottawa sobre automóveis, aço, alumínio e bebidas alcoólicas dos Estados Unidos, além das elevadas tarifas canadenses sobre laticínios. A medida aprofunda uma divisão que manteve o Canadá em grande parte à margem das negociações sobre o USMCA, já que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que houve pouco avanço em direção a concessões. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse em comunicado que seu governo apresentou propostas abrangentes para resolver as disputas comerciais com Washington, acrescentando que tarifas anteriores impostas por Trump violavam o acordo comercial da América do Norte. Greer, por sua vez, elogiou o México por não ter retaliado as tarifas americanas e por sua abordagem “pragmática” nas negociações, que incluem esforços para alinhar os controles de exportação mexicanos aos dos Estados Unidos, medidas para proteger direitos de propriedade intelectual e ações para restringir a exportação de abacates cultivados em áreas desmatadas ilegalmente. Jamieson Greer, Representante Comercial dos EUA — Foto: Aaron Schwartz/Bloomberg Automóveis e segurança econômica As conversas na Cidade do México abordarão os detalhes técnicos do comércio entre Estados Unidos e México nos setores automotivo, siderúrgico, de alumínio, agrícola e trabalhista, segundo o escritório de Greer. As discussões também se concentrarão em “segurança econômica”, expressão usada pelo USTR para descrever o aumento das proteções comerciais regionais destinadas a impedir que China e outros países asiáticos usem México e Canadá para acessar o lucrativo mercado americano em condições preferenciais. A crescente presença da China no mercado automobilístico mexicano representa um possível ponto de atrito nas negociações. A Reuters informou na segunda-feira que novos dados de distribuição mostraram que as vendas de carros chineses subiram 30% no primeiro semestre de 2026, apesar das tarifas de 50% impostas em janeiro, enquanto as marcas chinesas ampliaram sua participação de mercado de 14% para 17% em relação ao ano anterior. Pessoas a par das negociações disseram que os Estados Unidos querem que seus parceiros norte-americanos adotem barreiras comerciais semelhantes contra produtos de fora da região, incluindo veículos, autopeças, aço, alumínio e outros componentes. Durante as conversas bilaterais com o México sobre o USMCA, em maio, o USTR propôs exigir que 50% do valor dos veículos fabricados na América do Norte tenha origem nos Estados Unidos, uma mudança significativa em relação às regras atuais e um ajuste difícil para montadoras com cadeias de suprimentos regionais altamente integradas. Greer afirma que o crescente déficit comercial dos Estados Unidos com o México continua sendo uma das principais preocupações de Trump ao avaliar o futuro do USMCA. Esse déficit aumentou em US$ 28 bilhões, ou 17%, para US$ 197 bilhões em 2025, segundo dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos.