Um parecer da professora titular da Faculdade de Direito da USP Paula Forgioni conclui que o modelo de negócios da FFU (Futebol Forte União) "viola claramente o Direito brasileiro" por transferir à investidora Sports Media poderes sobre os direitos de arena e decisões estratégicas dos clubes das Séries A e B do Brasileirão.
O documento, obtido pela coluna, afirma ainda que cláusulas que mantêm as equipes vinculadas ao condomínio por até 50 anos são nulas e configuram "fraude à lei".
O parecer foi encomendado por Botafogo, Vasco e Corinthians, que integram a FFU, e será mostrado à entidade nos próximos dias. Os clubes também avaliam protocolar o documento no processo que tramita no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que julga suposto ato de concentração e de conduta anticompetitiva.
O texto sustenta que a Sports Media, embora detenha participação de até 20%, exerce controle efetivo sobre os direitos de arena, que garantem aos clubes a exploração comercial da transmissão de seus jogos.
Segundo Forgioni, a Sports Media recebeu poderes de veto sobre decisões estratégicas, controla a indicação da administradora e da equipe comercial e, na prática, passou a decidir os "destinos econômicos" dos clubes. A jurista afirma que "a autonomia dos clubes [...] não existe dentro da estrutura do Condomínio".








