Com características distintas, nem todas as regiões do estado do Rio de Janeiro vão enfrentar da mesma maneira os efeitos climáticos do chamado Super-El Niño. Umas vão ser mais castigadas pelo calor extremo, enquanto outras estarão entregues às chuvas intensas esperadas para o período. —Cada região tem sua condição e característica específica e natural, tanto com relação a geografia como com a topografia — explica o meteorologista Fabio Hochleitner, pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) da Coppe UFRJ. No Norte e Noroeste, por ser região mais rural, o cenário mais provável, segundo o pesquisador, é de agravamento dos problemas de aridez, fruto das temperaturas elevadas. Também está sujeito a ondas de calor, déficit hídrico e risco de queimadas. Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, a prefeitura diz que os efeitos do fenômeno climático são menos previsíveis, já que o município está numa área de transição climática, Mas, acompanha com atenção a evolução das condições oceânicas e atmosféricas para traçar o planejamento das medidas preventivas. Por meio de nota, a prefeitura explicou que "historicamente, não há um padrão definido de aumento ou redução das chuvas, mas sim maior variabilidade das condições meteorológicas". Diante desse cenário, informou, o governo municipal acompanha continuamente a evolução das condições oceânicas e atmosféricas por meio da Defesa Civil e de órgãos de monitoramento, "utilizando essas informações para fortalecer o planejamento, a prevenção e a gestão de riscos, permitindo respostas mais rápidas diante de possíveis eventos climáticos extremos", conclui o texto. Na Costa Verde e Região Serrana o risco maior são as chuvas, trazendo inundações e enxurradas. A prefeitura de Angra dos Reis que em fevereiro recebeu em apenas seis horas mais de 200 milímetros de chuva, quase a média esperada para o mês inteiro, investe em prevenção. Só as obras de contenção devem consumir R$ 300 milhões. O secretário municipal de Defesa Civil, Fábio Júnior, elenca ainda medidas como um plano de contingência comunitário, que conta com a ajuda da própria população, sistema de sirenes composto de blocos fixos (26) e itinerante, montadas em viaturas com tração 4x4 para facilitar acesso a localidades mais remotas, além de pontos de apoio e abrigos. O município tem 169 mil habitantes, sendo que 60 mil vivem em áreas vulneráveis em encostas e na beira dos rios. O secretário destacou que o principal foco da gestão está no monitoramento e na antecipação das informações. — Trabalhamos aqui com todos os institutos de meteorologia, do governo do estado e federal. Temos acesso direto aos meteorologistas dessas plataformas e qualquer informação pertinente a chuvas mais intensas ou ventos mais forte a gente entra em contato com eles, filtra essas informações e repassa para a população. Criamos também o Sistema Municipal de Proteção Defesa Civil pertinente ao que diz a lei federal 12.608 e dentro dele temos a comissão permanente prevenção de risco, que é onde a Defesa Civil coordena com toda infraestrutura da prefeitura as ações. Na Região Serrana, Petrópolis informou que adquiriu um radar meteorológico, que é usado pela Defesa Civil. Em relação a investimentos em obras, desde o ano passado, 45 intervenções de contenção e drenagem estão em execução ou tendo projetos elaborados, representando investimento de quase R$ 62,5 milhões. Em Nova Friburgo, o município garante que, desde 2011,não registra morte por eventos climáticos. E que, em janeiro, lançou a pedra fundamental das obras da chamada “Barreira Sabo”, com tecnologia japonesa, para retenção de fluxo de detritos, com recursos do PAC. Teresópolis diz que a Defesa Civil “mantém uma política permanente de prevenção, monitoramento e preparação para eventos climáticos extremos”. Entre as principais iniciativas está a elaboração e a implementação do Plano Municipal de Redução de Riscos. No Leste Fluminense e Região os Lagos, as chuvas também são preocupação, Devem enfrentar também ilhas de calor. Já a Baixada Fluminense vão sofrer com índices de calor intenso, baixa umidade e piora da qualidade do ar. Pode também enfrentar inundações. O governo do estado informou, por meio da assessoria de imprensa, que criou um Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño para coordenar ações de monitoramento, prevenção, preparação e resposta aos impactos provocados pelo fenômeno climático. A nova estrutura, que não implica aumento de despesas, utilizando a estrutura administrativa já existente, e reúne 18 órgãos que atuam sob a coordenação da Defesa Civil. A meteorologista do Inmet, Itamara Parente diz que são esperadas ondas de calor, com dias mais quentes em algumas regiões do estado. Sobre chuva, segundo ela, o que já dá para dizer é que elas serão irregulares. A intensidade, explica, vai depender da conjugação das Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) com o sistemas frontais, que são a movimentação de nuvens e massas de ar com temperatura e densidades diferentes. O professor Leandro Torres Di Gregorio, do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da UFRJ, diz o ideal é que as cidades estejam preparadas para os piores cenários. —Cada município deve trabalhar com os cenários mais agressivos que já enfrentaram, revisar seus planos de contingência, com respostas para as emergências, em função de diferentes cenários, além de fazer articulações com a Defesa Civil estadual e conversar com seus vizinhos, pois muitas enfrentam problemas comuns, como inundações provocadas por uma mesma bacia que por vezes corta várias cidades — aconselha o especialista.
Do calor extremo às chuvas intensas: o que o Super-El Niño pode provocar no estado do Rio
Características distintas farão com que cada região sinta os efeitos de uma forma







