Entre os indícios citados por ele está o comportamento de serviços, que representa quase 70% do PIB, pelo lado da oferta Após cair 0,1% em abril ante março, a economia brasileira subiu 0,7% em maio ante abril, na leitura do Monitor do PIB, indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) que apura mensalmente ritmo da economia. Na comparação com maio do ano passado, a atividade subiu 1,2% e, no trimestre finalizado em maio, a economia cresceu 1,9% ante mesmo trimestre de ano anterior. Para Claudio Considera, economista da FGV e coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre), mesmo com saldo positivo na margem, é possível notar sinais de arrefecimento, na atividade econômica, no quinto mês do ano. Entre os indícios citados por ele está o comportamento de serviços, que representa quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB), pelo lado da oferta. A economia de serviços subiu 2% no trimestre finalizado em maio, ante mesmo trimestre do ano passado, a mais fraca taxa, nessa comparação trimestral, desde trimestre finalizado em novembro do ano passado (1,6%). Serviços mostrou ainda alta de apenas 0,4% em maio ante abril, com expansão de 1% ante maio do ano passado, a menos intensa elevação desde agosto de 2025 (0,9%), nesse período comparativo mês ante mesmo mês de ano anterior. “Notamos um arrefecimento [na economia]”, reiterou. Pelo lado da demanda citou ainda trajetória de consumo das famílias. Em maio ante maio do ano passado, o consumo das famílias caiu 0,1%, pior resultado desde abril de 2025. Na comparação com abril, o consumo em maio de 2026 cresceu apenas 0,4% - embora tenha subido 3,3%, no trimestre finalizado em maio, ante mesmo trimestre do ano passado. Um outro aspecto mencionado pelo especialista é a contribuição do setor externo, para compor o desempenho do PIB. Ele ponderou que o comércio exterior brasileiro tem passado por algumas volatilidades, devido a questões ainda não resolvidas sobre “tarifaço” dos Estados Unidos. Há meses, o governo de Donald Trump tem anunciado tarifas de dois dígitos para entrada de importações em solo americano de alguns países, entre eles o Brasil. Esse foi um dos fatores que fizeram com que, em maio, as exportações operassem abaixo das importações, disse. Em maio ante abril, as exportações caíram 6,2% e as importações recuaram 1,9%. Em maio ante maio do ano passado, as exportações retraíram 2,7% enquanto as importações subiram 2,3%. E, no trimestre finalizado em maio, as exportações subiram 4,3% e as importações avançaram 8,9%. Sobre as novas ameaças de tarifa do governo americano às exportações brasileiras com destino àquele país, Considera ponderou que não há como saber, no momento, quais efeitos terão nos desempenhos de comércio exterior dos terceiro e quarto trimestres. “Ainda há muita incerteza [nas negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema]”, disse. Porém, o técnico ponderou que, pelo menos até o momento, o governo brasileiro tem conseguido lidar com efeitos dos “tarifaços” na economia brasileira. O especialista comentou ainda que o Monitor do PIB, em 12 meses até maio, mostra expansão de 1,7%. O técnico comentou que isso infere que a economia estaria a caminhar para alta de cerca de 2%, em 2026. “Acredito que sim [que o PIB possa crescer em torno de 2%]. A menos que algum ‘tarifaço’ adicional sacrifique muito para as nossas exportações”, acrescentou. Claudio Considera, pesquisador do IBRE/FGV — Foto: Leo Pinheiro/Valor
Economia cresce em maio, mas dá sinais de arrefecimento, diz Claudio Considera, da FGV
Entre os indícios citados por ele está o comportamento de serviços, que representa quase 70% do PIB, pelo lado da oferta









