Bombardeio com três mísseis de cruzeiro foi o mais letal desde a retomada da escalada de violência no Mar Negro nas últimas semanas Fumaça sobe do navio graneleiro Golden Leo, sob a bandeira da Guiné-Bissau, após ataque de míssil russo no Mar Negro, perto de Odessa, Ucrânia, domingo, 19 de julho de 2026, segundo relatos da mídia local — Foto: AP/Michael Shtekel Um ataque com mísseis da Rússia contra um navio carregado de milho próximo ao porto de Odessa, no sul da Ucrânia, matou 10 pessoas, informaram autoridades ucranianas nesta segunda-feira. Foi o ataque mais letal desde a retomada da escalada de violência no Mar Negro nas últimas semanas. A Rússia atingiu o Golden Leo, navio de bandeira da Guiné-Bissau tripulado por marinheiros da Índia e da Síria, com três mísseis de cruzeiro, provocando um incêndio no domingo, informou a Marinha ucraniana no aplicativo Telegram. Um repórter da Reuters em Odessa viu fumaça saindo de uma embarcação na costa no domingo, e a agência confirmou que se tratava do Golden Leo. Em um ataque separado, a Rússia bombardeou Odessa, o maior porto marítimo da Ucrânia, nesta segunda-feira, matando três pessoas e ferindo outras três, disse Serhiy Lysak, chefe da administração militar da cidade. De acordo com ele, instalações de infraestrutura foram atingidas, sem fornecer mais detalhes. A operação de busca e resgate durou toda a madrugada, informou a Autoridade dos Portos Marítimos da Ucrânia. Segundo o órgão, nove tripulantes e um prático marítimo morreram. Oito dos 17 tripulantes do navio foram resgatados. O Golden Leo pertence à empresa Ocean Grace Shipping Ltd, sediada em Mumbai, segundo dados da Lseg. A administradora da embarcação, Friends Shipping Co SA, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail. Não houve manifestação pública imediata de Moscou sobre o incidente. O Mar Negro tornou-se um dos principais focos da guerra na Ucrânia nos meses seguintes à invasão em larga escala lançada pela Rússia em 2022. No entanto, um acordo destinado a reduzir o impacto da guerra sobre os preços globais e permitir que ambos os países exportassem grãos possibilitou a retomada da navegação comercial. Agora, porém, Moscou e Kiev voltaram a intensificar os ataques no Mar Negro e no Mar de Azov, mirando importantes fontes de receita. As forças ucranianas atingiram infraestrutura energética russa, incluindo petroleiros, enquanto a Rússia intensificou seus ataques contra portos de águas profundas e navios de carga da Ucrânia. O Ministério da Defesa da Rússia informou nesta segunda-feira que suas forças atingiram durante a noite tanques de armazenamento de combustível no porto de Odessa, segundo a agência Interfax. Os ataques russos já mataram 28 pessoas na região de Odessa neste mês, afirmou o governador local nesta segunda-feira. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia são grandes exportadoras de grãos, e a retomada da violência nessa rota elevou as preocupações com o abastecimento global. A Ucrânia, que nas últimas safras respondeu por cerca de 6% das exportações mundiais de trigo e aproximadamente 11% das exportações globais de milho, perdeu cerca de um terço de sua capacidade de exportar grãos por meio dos portos do Mar Negro devido aos ataques russos com mísseis e drones, segundo comerciantes e analistas. Os ataques ucranianos também obrigaram a Rússia, maior exportadora mundial de grãos, a restringir a navegação no Mar de Azov, rota responsável por cerca de um quarto de suas exportações de grãos, disseram fontes à Reuters.