Os Estados Unidos e o Irã deram sinais nesta segunda-feira de que podem retomar as negociações, apesar dos novos ataques trocados entre os países pelo nono dia consecutivo e da violação do acordo de cessar-fogo firmado no mês passado. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo que, se a porta da diplomacia se abrir entre Washington e Teerã “teremos satisfação em vê-la aberta". Ele ressaltou, porém, que o país continuará atacando o Irã enquanto Teerã mantiver ataques contra a navegação comercial internacional. "Enquanto o Irã insistir em controlar uma hidrovia internacional, teremos de responder. Os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática", disse Rubio. Na mesma linha, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou em entrevista coletiva nesta segunda-feira que Teerã recebeu propostas para reduzir as tensões, mas não deu detalhes. "A diplomacia é um instrumento por meio do qual defendemos nossos interesses nacionais, assim como a guerra", afirmou o porta-voz. Baghaei também disse que o ministro do Interior do Irã se reunirá nesta segunda-feira com autoridades no Paquistão — principal mediador entre Teerã e Washington desde o início do conflito —, embora tenha ressaltado que a visita é voltada para questões bilaterais. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira ter atacado ativos militares dos EUA em todo o Oriente Médio após mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas. Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente US$ 90 por barril depois de uma nova interrupção da navegação pelo Estreito de Ormuz, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu os ataques mais recentes como uma retaliação pelas mortes de militares americanos, apesar da crescente pressão política interna provocada pela alta dos preços da gasolina. Trump afirmou que os ataques americanos mais recentes foram realizados "em homenagem aos... grandes patriotas", em referência a até três militares americanos mortos nos recentes ataques iranianos. O conflito também se agravou com ataques a instalações de dessalinização, aumentando a perspectiva de escassez de água em partes do Golfo e abrindo uma nova frente em uma guerra que ameaça cada vez mais a infraestrutura civil. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois navios-tanque de petróleo "explodiram" e ficaram imobilizados depois de tentarem atravessar o estreito por uma rota considerada "insegura". No domingo, a IRGC havia informado que duas embarcações se envolveram em um "acidente" na mesma região. Não estava claro se os dois episódios estavam relacionados. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o incidente. O comunicado da IRGC não forneceu detalhes sobre as embarcações nem informou se houve vítimas. Separadamente, uma embarcação foi atingida por um projétil de origem desconhecida na costa de Omã, voltada para o Estreito de Ormuz, informou a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO). Segundo a entidade, a embarcação permanece à deriva, mas a tripulação está em segurança. Em comunicado, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que a nona noite consecutiva de ataques contra o Irã teve como objetivo "degradar" a capacidade do país de atacar embarcações comerciais nas rotas marítimas estratégicas do estreito. O comando não forneceu mais detalhes. A agência semioficial iraniana Tasnim informou que mísseis americanos atingiram várias cidades iranianas na madrugada desta segunda-feira. Explosões foram registradas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini. Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas na região sudoeste de Tabriz, segundo a agência estatal IRNA. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, além de atingir ativos militares no acampamento de Al-Adiri e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, e posições na Síria. Sirenes de alerta soaram no Bahrein na manhã desta segunda-feira, informou o Ministério do Interior do país, enquanto o Exército do Kuwait afirmou ter interceptado drones hostis durante um ataque iraniano. O governo do Kuwait informou que uma usina de dessalinização foi atacada no domingo pelo segundo dia consecutivo, provocando um incêndio, no que classificou como um ataque direto contra infraestrutura civil vital. As usinas de dessalinização fornecem a maior parte da água potável em muitos países do Golfo, abastecendo dezenas de milhões de pessoas em uma das regiões mais áridas do mundo. O Irã, que acusou os EUA no sábado de atingir uma de suas próprias usinas de dessalinização, afirmou repetidamente que atacará instalações desse tipo nos países do Golfo em retaliação aos bombardeios americanos contra sua infraestrutura energética. As forças americanas não confirmaram ter atingido uma usina iraniana de dessalinização. O cessar-fogo firmado no mês passado, que durou pouco, ruiu em meio a acusações mútuas sobre o controle exercido pelo Irã no Estreito de Ormuz. A escalada das hostilidades, no entanto, se estendeu para além da via marítima, considerada crucial para o comércio global de petróleo e gás sobre a qual o Irã busca exercer controle, provocando uma forte alta nos preços do petróleo. Os ataques militares mais recentes mataram militares americanos na região e incluíram diversos bombardeios contra infraestrutura crítica iraniana. Apesar dos sinais do Irã e dos EUA de disposição para retomar as negociações diplomáticas, ainda não está claro se os dois países conseguirão chegar a um acordo. Autoridades americanas disseram no domingo que mais aviões de combate estavam sendo enviados ao Oriente Médio, em um sinal de que o governo Trump pode estar se preparando para intensificar sua campanha militar. O conflito, iniciado quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro com o objetivo de neutralizar os programas nuclear e de mísseis de Teerã e enfraquecer seus aliados regionais, já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Fumaça sobe de uma explosão em local desconhecido, durante o que o Comando Central dos EUA (Centcom) afirma serem ataques ao Irã , nesta imagem estática extraída de um vídeo divulgado em 19 de julho de 2026 — Foto: Comando Central dos EUA/Divulgação via REUTERS Impacto no preço da gasolina O preço médio da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou US$ 4 por galão nesta segunda-feira, um patamar considerado financeiramente doloroso para as famílias americanas. Os preços haviam recuado abaixo desse nível em junho, depois que Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra. O Partido Republicano, de Trump, enfrenta o risco de uma reação negativa do eleitorado nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que dois militares morreram na Jordânia na sexta-feira e que um terceiro permanecia desaparecido em combate. No domingo, o Comando Central informou que "restos mortais não identificados" foram encontrados no local do ataque de sexta-feira e que "o processo de identificação continua em andamento". Trump afirmou que a campanha militar contra o Irã está alcançando seus objetivos. "O Irã foi muito, muito duramente atingido... Nós controlamos o estreito. Eles não controlam nada... Mas voltamos a atacá-los com muita força esta noite. E fizemos isso em homenagem aos — provavelmente três, provavelmente três, e não dois — grandes patriotas."
EUA e Irã sinalizam disposição para retomar negociação apesar de novos ataques
Ainda não está claro, porém, se os dois países conseguirão chegar a um acordo, já que autoridades americanas disseramque mais aviões de combate estavam sendo enviados ao Oriente Médio








