Conhecido como 'Rei do Norte', novo premiê chega à Downing Street com a promessa de concentrar a ação do governo em questões como a crise do custo de vida e a baixa qualidade dos serviços públicos O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, chega ao número 10 da Downing Street, em Londres, na segunda-feira, 20 de julho de 2026 — Foto: AP/Kirsty Wigglesworth Andy Burnham se tornou nesta segunda-feira o sétimo primeiro-ministro do Reino Unido em uma década com a promessa de "reconfigurar" o país para concentrar a ação do governo em temas que afetam diretamente a população, como a crise do custo de vida e a baixa qualidade dos serviços públicos. Seu colega de Partido Trabalhista, o primeiro-ministro de saída, Keir Starmer, fez seu discurso de despedida em frente ao número 10 da Downing Street, dizendo a apoiadores que "meu trabalho está concluído" e que deixava o cargo "com elegância" e "um sorriso". Depois de apresentar de Starmer apresentar formalmente a renúncia ao rei Charles III, o monarca recebeu Burnham e o convidou a formar governo como primeiro-ministro. Em seguida, começará o trabalho do político de 56 anos que, como prefeito da Grande Manchester, ganhou o apelido de "Rei do Norte". Starmer, destituído do cargo pelos parlamentares de seu partido há cerca de um mês, afirmou que servir como primeiro-ministro foi "o privilégio da minha vida" e que, ao passar o bastão para Burnham, desejava ao sucessor "todo o sucesso". "Ele tem meu total apoio", afirmou Starmer. Cerca de uma hora depois, Burnham deverá ocupar o lugar diante da residência oficial em Downing Street para fazer um discurso no qual apresentará o caminho para "uma política mais estável e responsável", segundo comunicado divulgado por sua equipe. Ao apresentar sua posse como um momento de "reflexão", Burnham pretende dizer que chegou a hora de encarar com honestidade os desafios do Reino Unido e que somente a estabilidade política permitirá melhorar a situação do país. Na sexta-feira, Burnham classificou sua eleição para a liderança do Partido Trabalhista como "o momento de mudança mais significativo da política britânica em 40 anos". Ele prometeu promover mudanças profundas no sistema político para elevar rapidamente o padrão de vida e transformar um país ávido por mudanças em um lugar onde "a vida seja mais acessível e todas as pessoas e regiões avancem em relação à situação atual". A mensagem foi dirigida aos parlamentares trabalhistas, que veem Burnham como um dos poucos políticos capazes de enfrentar a ameaça representada pelo partido populista Reform UK, do veterano defensor do Brexit Nigel Farage — algo que muitos consideravam fora do alcance do impopular Starmer. O primeiro desafio de Burnham será montar seu gabinete, especialmente definir quem comandará o Ministério das Finanças. Atritos entre o primeiro-ministro e o ministro da Fazenda já provocaram a queda de governos anteriores no Reino Unido. Um dos primeiros favoritos ao cargo, o ministro da Segurança Energética e Neutralidade de Carbono, Ed Miliband, foi alvo de críticas nos bastidores. Agora, a ministra do Interior, Shabana Mahmood, desponta como principal candidata ao posto. Burnham pediu na sexta-feira que seu partido ignorasse as "especulações" e afirmou que ainda não havia decidido quem integrará sua equipe. Suas primeiras decisões de governo também serão acompanhadas de perto. No domingo, foi abandonado o plano de exigir que todos os trabalhadores possuíssem um documento digital de identidade, uma iniciativa concebida para combater a migração ilegal, mas classificada como um "fiasco" por uma comissão parlamentar multipartidária. As atenções também estarão voltadas para as decisões sobre impostos e gastos públicos, petróleo e gás, e empresas de serviços públicos com desempenho insatisfatório, setor sobre o qual Burnham defende um controle estatal mais rigoroso. A Thames Water, maior companhia de abastecimento de água do Reino Unido, enfrenta um elevado endividamento e sofre críticas frequentes pelos repetidos vazamentos de esgoto. No domingo, a vice-líder do Partido Trabalhista e aliada de Burnham, Lucy Powell, sugeriu que a Thames Water poderia ser colocada sob um regime especial de administração, passando a operar sob controle do governo. "Ele quer redirecionar e redefinir as prioridades dos recursos e da atenção do governo para aquilo que considera essencial: enfrentar a crise do custo de vida e, de fato, reconfigurar a forma como o país e a economia funcionam", disse Powell à Sky News.
Após saída de Starmer, Andy Burnham se torna premiê do Reino Unido
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