Lucas Peralles, nutricionista esportivo e criador do Método LP, explica por que o conceito substitui a busca isolada pelo emagrecimento. Lucas Peralles — Foto: Divulgação O mercado brasileiro de bem-estar cresceu vendendo velocidade. Dietas de choque, protocolos de 30 dias e promessas de resultado antes do verão sustentaram por décadas um setor que hoje movimenta R$ 74,3 bilhões, após avançar 14,6% em faturamento. O crescimento, porém, produziu um efeito que o próprio setor não previu. Depois de tantos ciclos de resultado rápido seguido de reganho, o consumidor aprendeu, no próprio corpo, que velocidade não dura. E começou a procurar outra coisa. Essa outra coisa tem nome técnico: recomposição corporal, o processo que reduz gordura e preserva ou aumenta massa muscular ao mesmo tempo. Reportagens recentes a descrevem como uma das tendências que mais crescem nas redes, dentro de um movimento de abandonar a cultura da balança e olhar para força, forma e saúde. Lucas Peralles, nutricionista esportivo, trabalha com esse conceito desde antes de ele virar assunto, e o transformou na base do Método LP, aplicado na Clínica Peralles, no Tatuapé, em São Paulo. "O paciente que chega hoje não quer só emagrecer. Ele quer perder gordura sem perder músculo, e quer que isso dure", afirma. A velocidade parou de vender O desgaste da promessa rápida tem explicação fisiológica, não apenas comercial. Um protocolo desenhado para derrubar peso em poucas semanas tende a queimar massa muscular junto com a gordura. O corpo termina menor, mas com metabolismo mais lento, e o reganho se torna questão de tempo. O consumidor vivia esse ciclo, atribuía o fracasso à própria disciplina e comprava o protocolo seguinte, alimentando o mercado que o frustrava. Lucas Peralles vê nesse ciclo a origem do que o setor chama de efeito sanfona. "Emagrecer sem preservar músculo é trocar um problema por outro. O corpo fica menor, mas não fica melhor", resume. A diferença é que, agora, uma parcela crescente do público entendeu o mecanismo. E quem entende o mecanismo passa a avaliar o serviço por outra régua, não mais pela velocidade do resultado, mas pela capacidade de sustentá-lo. A régua nova favorece estrutura, não promessa Nessa régua, a concorrência muda de natureza. Dietas genéricas e aplicativos disputam preço, porque entregam produtos parecidos. Já a recomposição corporal exige leitura individual de metabolismo, treino e comportamento ao longo de meses, algo que não se replica em escala nem se resume a um cardápio. É um serviço que compete por profundidade, e profundidade depende de estrutura. Foi essa a aposta de Lucas Peralles ao desenhar a Clínica Peralles. Nutrição, treino e acompanhamento médico operam dentro de um único processo, com as decisões de cada área conversando entre si. No Método LP, essa integração não é conveniência operacional, é condição para o resultado. Um processo que avança por fases Dentro desse desenho, o método organiza o trabalho em fases com objetivos distintos, porque o corpo não responde bem a tudo ao mesmo tempo. A primeira reduz gordura e constrói rotina, com poucas regras e alta consistência. A segunda trabalha o ganho de massa, dando ao paciente mais liberdade alimentar, e é nela que o processo revela o que a balança escondia. "Ganho de massa testa o físico, mas revela o comportamento", observa Lucas Peralles. A terceira fase enfrenta a pergunta que os protocolos de 30 dias nunca respondem: o que acontece quando a vida real volta? Viagens, feriados e semanas caóticas entram no plano como teste deliberado. Só quando o paciente atravessa esses cenários sem perder o rumo, corrigindo a rota sozinho, o resultado é considerado pronto. Antes disso, na leitura do nutricionista, existe apenas um resultado provisório em ambiente controlado. O que muda para o setor A migração do valor da velocidade para a durabilidade deve se acentuar nos próximos anos, e ela separa dois tipos de negócio dentro do mesmo mercado. De um lado, os que ainda competem pela promessa mais rápida, disputando um cliente cada vez mais desconfiado. De outro, os que estruturaram o atendimento para entregar permanência, e que agora encontram uma demanda que amadureceu na direção deles. Lucas Peralles está no segundo grupo desde antes de a recomposição corporal se tornar tendência. Quando criou o Método LP, o mercado ainda media sucesso pela balança e vendia prazo curto como diferencial. O nutricionista seguiu o caminho oposto: processo por fases, integração entre áreas e resultado avaliado pelo que o paciente sustenta sozinho. À medida que o consumidor passa a exigir exatamente isso, o modelo deixa de ser exceção e se consolida como o padrão que a economia do bem-estar no Brasil tende a seguir.