A 76 dias de um pleito que se anuncia fortemente polarizado, saber quem é o eleitor que ainda não decidiu em quem vai votar é fundamental tanto para o presidente Lula como para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um recorte da última pesquisa Genial/Quaest feito a pedido da equipe da coluna mostra quem é esse eleitor e onde encontrá-lo. Os indecisos são principalmente mulheres, moram na região Sudeste, professam a religião católica, têm renda entre dois e cinco salários mínimos e se definem como independentes, sem alinhamento automático nem à esquerda nem à direita. Divulgada na última quarta-feira (15), a pesquisa mostrou que Lula ampliou para doze pontos percentuais a vantagem sobre Flávio no primeiro turno – 40% a 28%, ante 39% a 29% do levantamento de junho. Os indecisos representam uma fatia expressiva de 11% que pode definir o resultado das urnas. Desses, 66% são mulheres, ante 34% de homens — ou seja, de cada três eleitores indecisos no país, dois são mulheres e um é homem. “São mulheres que não têm filiação ideológica. Ou seja, é a mulher pragmática, que está preocupada com o custo de vida, mas que quer ser respeitada. A disputa está aí”, disse à equipe do blog o CEO da Quaest, o cientista político Felipe Nunes. “Elas rejeitam o governo Lula, mas não encontram no Flávio Bolsonaro uma alternativa. Ou seja, estão indecisos porque querem uma alternativa.”Já a desaprovação à administração petista possui índices semelhantes dos dois lados: 46% entre os indecisos e 47% entre os não-indecisos. E 19% dos indecisos não souberam ou não responderam sobre o que acham do governo Lula, um patamar seis vezes superior ao dos não-indecisos. Os números da Genial/Quaest e de outros institutos de pesquisa têm apontado que Lula angaria mais apoio entre mulheres e Flávio, entre homens, reforçando uma tendência já verificada nas eleições de 2022 de diferenças de escolha entre o eleitorado masculino e feminino. As mulheres formam a maioria do eleitorado brasileiro – 52%. Em meio à guerra com a madrasta Michelle Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na última quinta-feira, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo. Veja momentos marcantes da campanha eleitoral de 2022 1 de 15 Lula comemora vitória apertada na eleição para presidente em um trio elétrico, na Avenida Paulista (Foto: Caio Guatelli/ AFP) 2 de 15 Lula e Bolsonaro, durante debate na TV Bandeirantes, antes do primeiro turno: toque no ombro e apreensão (Foto: Nelson Almeida / AFP) X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Lula e Simone Tebet em ato de campanha em Juiz de Fora: Tebet foi apoio fundamental na reta final de campanha do PT (Foto: Ricardo Stuckert) 4 de 15 Michelle Bolsonaro, em culto na Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo: mulher de Bolsonaro também foi apoio importante na candidatura à reeleição (Foto: Brenno Carvalho) X de 15 Publicidade 5 de 15 Lula cumprimenta apoiadores durante ato de campanha no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio (Foto: Domingos Peixoto) 6 de 15 Agenda de campanha de Tarcísio de Freitas é interrompida por tiroteio. Candidato e jornalistas foram obrigados a se proteger em uma sala da campanha na comunidade. — Foto: Reprodução X de 15 Publicidade 7 de 15 O ex-deputado Roberto Jefferson conversa com agente da PF, após atirar granadas e disparar com fuzil contra policiais que cumpriam mandato de prisão contra ele (Foto: Redes sociais) 8 de 15 Deputada federal reeleita Carla Zambelli (PL) aponta arma para homem em São Paulo após discussão política na véspera do segundo turno (Foto: Reprodução/Twitter) X de 15 Publicidade 9 de 15 Padre Kelmon e Soraya Thronicke, em debate na TV Globo: falso padre fez parceria com Jair Bolsonaro no programa e Soraya o chamou de "cabo eleitoral" 10 de 15 O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou apoio a Lula X de 15 Publicidade 11 de 15 Jair Bolsonaro discursa em Copacabana, no feriado de 7 de setembro 12 de 15 Bolsonaro, ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, assina livro de condolências no funeral da Rainha Elizabeth II, em Londres X de 15 Publicidade 13 de 15 Em 4 de outubro, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), encontrou com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e anunciou apoio oficial à reeleição governante. 14 de 15 A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, participou do velório do tesoureiro do partido que foi morto a tiros por um apoiador de Bolsonaro, em Foz do Iguaçu. (Foto: Christian Rizzi / AFP) X de 15 Publicidade 15 de 15 Bolsonaro faz vídeo chamada com família de militante do PT morto por bolsonarista em Foz do Igraçu. Relembre imagens marcantes da corrida eleitoral mais disputada da História do Brasil A iniciativa foi anunciada em uma live ao lado de Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e a favorita de Flávio para compor sua chapa presidencial ou o Ministério da Fazenda, caso eleito. Religião No levantamento da Genial/Quaest, 44% dos indecisos são católicos, 30% evangélicos, 17% não têm religião e 8% seguem outras denominações religiosas. Quando se trata do posicionamento político, 53% dos eleitores indecisos se declararam “independentes”, 22% de direita não bolsonarista e 14% de esquerda não lulista. Há mais independentes entre os indecisos do que entre os não-indecisos, ou seja, aqueles que já tomaram a sua decisão – seja votar em algum candidato, anular, votar em branco ou simplesmente não comparecer às urnas. Nessa parcela, os independentes são 29%. No recorte por região, 53% dos indecisos vivem na região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Desses três estados, Lula derrotou Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais em 2022 apenas em Minas, e por uma margem apertadíssima: 50,2% a 49,8%, o equivalente a 50 mil votos válidos de diferença. Tradicional reduto petista, o Nordeste concentra 16% dos eleitores indecisos, mesmo índice verificado na região Sul, onde o bolsonarismo é mais forte. Já o Centro-Oeste representa 15% dos eleitores que ainda não sabem em quem votar para presidente da República. Na divisão de faixa etária da Quaest, 41% dos indecisos possuem entre 16 a 34 anos e outros 41% se situam no grupo entre 35 a 59 anos. Os indecisos com 60 anos ou mais representam bem menos – apenas 18%. Rejeição O recorte da Quaest também traz notícias ruins tanto para o presidente Lula quanto para Flávio Bolsonaro – e lança luz sobre as dificuldades dos dois em atrair esse eleitor a menos de três meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Uma delas é o índice de rejeição de Lula e Flávio, que entre os indecisos é superior ao verificado entre os não-indecisos. Entre os eleitores não-indecisos, ou seja, os que já sabem como vão votar, a rejeição de Lula e de Flávio é de 50% e 56%. Quando se considera apenas os indecisos, os números alcançam o patamar de 56% e 61%, respectivamente. No caso dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que tentam se cacifar como uma espécie de “terceira via”, o cenário é diametralmente oposto — os dois possuem rejeição menor entre os indecisos do que o verificado no restante do eleitorado, o que mostra que os dois podem se beneficiar da rejeição ao petismo e ao bolsonarismo. Conforme o levantamento da Genial/Quaest, a aprovação do governo Lula também é menor entre os indecisos — de apenas 35%, ante 50% quando se considera o restante do eleitorado, o que contribui para a dúvida sobre o voto na urna. Já a desaprovação à administração petista possui índices semelhantes dos dois lados: 46% entre os indecisos, 47% entre os não-indecisos. E 19% dos indecisos não souberam ou não responderam sobre o que acham do governo Lula, um patamar seis vezes superior ao dos não-indecisos. A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.