A Folha voltou a ouvir, três meses depois, os eleitores indecisos que entrevistou em março para saber como avaliam a disputa presidencial até aqui. A campanha ainda não começou oficialmente, mas a pré-campanha já produziu novas frustrações, cálculos de voto útil e expectativa de que os debates ajudem a separar promessa de viabilidade.
Entre cinco entrevistados ouvidos novamente, a indecisão mudou de forma. Há quem diga que anularia o voto se a eleição fosse hoje, quem caminhe para Lula (PT) por defesa da democracia, quem cogite votar no petista a contragosto e quem veja no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a alternativa mais viável para derrotar o atual governo.
"Acho que, no final, vou acabar votando em Lula, mas com uma revoltazinha por causa da educação", diz o professor aposentado Almir Barros Costa, 72, de Salvador. Ele afirma que anularia o voto se a eleição fosse hoje. Rejeita Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) e não vê em Flávio a moderação que esperava.
Almir voltou a dar aulas na rede estadual da Bahia e coloca a educação no centro de sua avaliação. Relata salas cheias, dificuldade de impor respeito, quadra descoberta e problemas de estrutura na escola. "O país está com a educação falida", afirma. A crítica recai sobre governos locais e sobre Lula, mas não basta, por ora, para levá-lo ao voto na direita.












