Espanhóis tentaram mudar o destino da história enquanto a promessa do Barcelona era desconhecida em seu país natal, onde pensaram que seu nome fosse Leonardo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Messi comemora gol marcado pela Argentina sobre Cabo Verde na Copa do Mundo — Foto: Chandan Khanna / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 20:31 Argentina Impede Messi de Jogar pela Espanha com Amistosos Urgentes A Argentina conseguiu evitar que Lionel Messi jogasse pela Espanha ao organizar amistosos às pressas, garantindo que o craque, então uma promessa desconhecida, vestisse a camisa albiceleste. Embora a Espanha tenha tentado convencer Messi a se juntar à sua seleção, o jogador sempre teve o sonho de representar a Argentina. Essa decisão foi crucial para a história do futebol, já que Messi se tornou um dos maiores jogadores de todos os tempos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Já pensou se na final da Copa do Mundo, no próximo domingo, Lionel Messi vestisse uma camisa vermelha em vez da albiceleste da Argentina? Bom, esse já foi o sonho da Espanha, que tentou convencê-lo a jogar por sua seleção enquanto ainda era uma promessa desconhecida da base do Barcelona. Os argentinos, por sua vez, se encantaram com lances gravados em uma fita cassete e organizaram amistosos às pressas para garantir que aquele menino usasse para sempre um uniforme azul e branco. Como Messi havia saído cedo da Argentina, para integrar as categorias de base do Barcelona ainda aos 13 anos, o jovem não era conhecido em seu país natal. Mas os espanhóis, sim, sabiam do talento que tinham por perto, e queriam convencê-lo a jogar pela seleção. O coração de Lionel, porém, já estava decidido. — A Espanha queria que Messi jogasse por sua seleção e fez todo tipo de aproximação e tentativa por meio de treinadores da Federação Espanhola e das seleções de base. Mas a ideia de Messi sempre foi jogar pela Argentina — contou Ariel Senosiain, jornalista argentino e autor do livro "Messi: o gênio completo", em entrevista ao GLOBO. Enquanto a Espanha se movimentava, a Argentina sequer tinha noção do talento que estava em Barcelona. A situação mudou quando os responsáveis pelas seleções de base argentina assistirem aos primeiros vídeos do jogador e tiveram medo de perder aquela joia. — As pessoas que dirigiam as seleções de base da Argentina naquele momento haviam sido informadas de que existia um fenômeno que morava e jogava na Espanha. No começo, não deram muita importância. Mas, quando viram os vídeos de Messi, ficaram impressionados — explicou Ariel. Messi e Juan Pablo Sorín em treino da seleção da Argentina, em 2005 — Foto: Karim Jafaar / AFP — O mais interessante é que Hugo Tocalli, que era quem dirigia a equipe de base da Argentina, não acreditava que pudesse existir um talento tão extraordinário. E José Pékerman, que comandava a seleção principal, também não conhecia o Messi. A verdade é que, naquele momento, Messi era um desconhecido. E não era uma época como a atual, em que as redes sociais conseguem tornar alguém conhecido do outro lado do oceano — completou o jornalista. O jogador estava tão fora do radar dos argentinos que mal sabiam seu nome. Quando um dos membros da AFA (Associação do Futebol Argentino) ligou para Jorge, pai de Messi, avisou que tinha interesse em "convocar seu filho, Leonardo" — pensou que Leo fosse diminutivo de Leonardo. — O nome do meu filho é Lionel. Até que enfim o convocaram, porque ele só quer jogar pela Argentina — respondeu o pai do jogador, segundo um trecho do livro do jornalista argentino. Messi em seus primeiros anos no Barcelona — Foto: Cesar Rangel/AFP Na época, se um jogador atuasse por uma seleção, mesmo que na base, depois não poderia defender outro país. Com isso, a Argentina marcou amistosos às pressas para garantir que Messi, prestes a completar 17 anos, estivesse ao seu lado. O primeiro deles foi contra o Paraguai, em Buenos Aires. Uma das testemunhas da estreia do astro com a camisa albiceleste foi Rafael Quinteros, na época fotógrafo do Diario Olé, que mal sabia da importância do amistoso. — Me mandaram para o amistoso da seleção sub-17 e disseram que o mais importante era um tal de Messi que estaria no banco de reservas. Eu teria que fotografá-lo no banco e depois esperar para que ele entrasse em campo no segundo tempo — revelou o fotógrafo argentino. — Quando cheguei e os jogadores entraram em campo, perguntei : "Quem é Messi?" E ele aparece, do outro lado do banco de reservas, e me diz que era ele. Então eu comento que era do jornal e que precisava fazer uma foto. Num primeiro momento, ele me diz: “Bom, tira uma foto minha aqui com todos os meus companheiros.” Fiz as fotos e, no fim, eu disse: "Bom, boa sorte. Espero que vá bem.” Isso sem imaginar toda a carreira que ele teria. O amistoso, então, cumpriu o papel de assegurar o craque para os argentinos, enquanto para o lado espanhol sobrou apenas a lamentação. — Tentamos convencê-lo a jogar conosco porque eu tinha um amigo em Barcelona, Alex García, o treinador dele. E era ele quem ficava me dizendo: "Ei, temos que convencer o argentino a jogar com você". Ele era da geração de 87, a mesma geração do Piqué e do Cesc Fábregas. Eles me ajudaram a conversar com ele, a tentar convencê-lo a jogar conosco. Mas ele (Messi) nunca quis — disse Ginés Meléndez, ex-coordenador de seleções de base da Espanha, em entrevista ao Diario As. Antigos companheiros de Messi em Barcelona, Piqué e Fábregas fizeram parte da seleção da Espanha campeã do mundo em 2010, na África do Sul. Uma equipe formada majoritariamente por jogadores que faziam sucesso no Barça de Pep Guardiola, como Iniesta, Xavi e Puyol, mas que faltava justamente aquele que viria a se tornar o maior de sua geração. Guardiola e Messi juntos pelo Barcelona — Foto: AFP / LLUIS GENE Talvez em outra linha temporal, Messi teria feito parte da grande geração espanhola campeã do mundo e das Eurocopas de 2008 e 2012, enquanto o camisa 10 desta realidade sofria por não conseguir vencer com a Argentina. História que já ficou no passado depois da Copa de 2022, duas Copas Américas (2021 e 2024), a Finalíssima (2022) e agora uma nova decisão de Copa do Mundo. — Acho que o Messi hoje é a história do futebol argentino, pelas conquistas, pelo tipo de pessoa que é, pela humildade que demonstra e pelo que nos representa nessa última Copa do Mundo. Acho que essa é a figura do Leo. Ele não para de nos surpreender, não para de realizar feitos dentro de campo. Tudo isso é muito merecido. E ter feito parte dessa história dele, nesse começo que foi tão importante, para mim é uma honra — acrescentou o fotógrafo Rafael Quinteros, que já não precisa mais perguntar quem é Messi. Agora, mais de duas décadas depois da corrida para impedir que craque defendesse a Fúria, a história reservou um desfecho simbólico. No domingo, justamente contra a Espanha, o argentino terá a chance de conquistar seu segundo título mundial — passaria a ter mais que o país adversário — e escrever um novo capítulo na trajetória que poderia ter seguido um outro rumo. — É uma seleção enorme (Espanha), com grandes jogadores, um grande jogo. Uma seleção que conheço bem. Joguei por muitos anos da maneira que eles jogam. Grandes jogadores que enfrentei muitas vezes no Barça. Será uma partida especial, uma final de Copa do Mundo — destacou Messi após a vitória sobre a Inglaterra na semifinal.
'Quem é Messi?': veja bastidores da corrida da Argentina para impedir que craque jogasse pela Espanha
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