Parece fantasia e é mesmo. Quem olha para as empresas do Vale do Silício logo encontra referências a obras fantásticas em toda parte. Com objetos mágicos, narrativas épicas e conceitos de ficção científica, essas companhias recorrem à literatura especulativa para criar marcas corporativas, nomear produtos e batizar fundos de investimento, entre outras iniciativas.

Mais do que decisões aleatórias, muitas vezes tais escolhas revelam qual visão de mundo os empresários de tecnologia cultivam. E nelas, diga-se, os heróis costumam ser os empreendedores, dotados de objetos que tudo veem, armas que derrotam inimigos e veículos capazes de viagens interplanetárias.

As empresas de Peter Thiel são um exemplo. A Palantir, companhia da inteligência de dados aplicada a segurança e defesa, copia o nome de uma esfera mágica de "O Senhor do Anéis" que confere a seu dono o poder de ver e ouvir eventos distantes —uma alegoria do que a empresa promete a seus clientes.

Os críticos do bilionário logo apontaram a ambiguidade. Na obra de J.R.R. Tolkien, os "palantíri" até permitem a seu dono enxergar longe, mas também o manipulam fazendo-o acreditar que vê a realidade, quando está vendo informações selecionadas. Esses críticos dizem que tais objetos podem até ser uma metáfora da vigilância total que o uso militarizado da IA poderia gerar.