O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil é uma sanção direcionada ao governo Lula (PT), e não um instrumento comercial de arrecadação ou de regulação de mercado, avalia o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Participante direto das tratativas com os americanos, ele diz que se recusa a acreditar que o estilo de Donald Trump de negociar seja o "novo normal". "O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando dano. Não vamos ceder", afirma em entrevista à Folha.

Durante as negociações, os americanos pediram a abertura total do mercado brasileiro para bens industriais americanos, especialmente nos setores químico e automotivo, nos moldes do acordo firmado com a Argentina, de Javier Milei. "O governo do presidente Lula não vai negociar isso. Nem hoje, nem amanhã, nem depois", diz o ministro.

Para Elias Rosa, ainda é preciso avaliar o impacto econômico da medida antes de recorrer a atitudes mais drásticas, como a Lei da Reciprocidade. O momento adequado, segundo ele, será aquele que não vai produzir um dano maior do que aquele que se tenta evitar.