UE lançará em 2027 projeto piloto com objetivo declarado de reduzir dependência de provedores de pagamentos americanos, como Visa e Mastercard 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sistemas de pagamentos instantâneos como o Pix não são exclusividade brasileira — Foto: Júlia Aguiar/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 11:40 Disputa Comercial EUA-Brasil: Pix Sob Investigação e Sobretaxa O Pix brasileiro está no centro de uma disputa comercial com os EUA, que alegam que o sistema prejudica empresas americanas, resultando em uma sobretaxa sobre exportações do Brasil. Paralelamente, a União Europeia avança com o euro digital para reduzir a dependência de provedores de pagamento americanos. Com lançamento experimental previsto para 2027, a iniciativa visa fortalecer a soberania europeia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Pix brasileiro entrou na mira do governo americano do presidente Donald Trump e foi usado como um dos argumentos para os Estados Unidos aprovarem uma sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras. A Casa Branca alega que o Pix prejudica as empresas americanas ao viabilizar um sistema de pagamentos que é, ao mesmo tempo, operado e regulado pelo governo brasileiro. E, ainda, que exigir que empresas americanas ofereçam o Pix seria uma prática desleal de comércio. Atacar o Pix é como dizer que 'criar saneamento compromete o carro-pipa'; Veja reações do governo às críticas dos EUAPor que o Pix incomoda tanto os EUA? Especialistas veem confusão entre inovação e barreira comercial Mas, se no Brasil o Pix foi lançado como uma ferramenta para democratizar o acesso da população a meios de pagamento, pelo mundo crescem iniciativas cujo objetivo declarado é reduzir a dependência dos provedores americanos. Lançada em 2020, a proposta de criar um euro digital ganhou impulso na União Europeia só este ano, diante da escalada de tensões com os EUA sob o governo Trump. Em junho, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu, em Bruxelas, finalmente aprovou um plano para criar versões online e offline da moeda digital, que o Banco Central Europeu (BCE) pretende lançar de forma experimental em 2027 e por em circulação até 2029. E, esta semana, o BCE selecionou 36 prestadores de serviços de pagamento, entre eles Deutsche Bank e UniCredit, para iniciar o teste piloto do euro digital. O euro digital é uma estratégia da Europa para reduzir sua dependência de empresas americanas como Visa e Mastercard. — Atualmente, quase dois terços dos pagamentos com cartão na zona do euro são processados por empresas não-europeias, e 13 dos 21 países que integram a zona do euro não possuem um sistema nacional de cartões para pagamentos cotidianos em lojas físicas ou pela internet — destacou Alessandro Giovannini, assessor do projeto de euro digital no BCE, na ocasião da aprovação no parlamento, destacando: — O euro digital reduzirá a dependência de soluções não europeias. Nenhuma outra iniciativa tem a mesma ambição de fortalecer, de forma estrutural, a soberania europeia. Resposta política, socorro a empresas e retaliação adiada: Como o governo decidiu reagir ao novo tarifaço dos EUA Além das bandeiras de cartão de crédito, as carteiras digitais de pagamento mais populares também são operadas por empresas americanas, como Apple Pay, Google Pay ou PayPal. A expansão das stablecoins, em sua maioria denominadas em dólares e promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também aumentou a preocupação entre os governos da União Europeia. Além disso, ações recentes do governo americano acenderam o alerta entre autoridades europeias. No ano passado, os EUA impuseram sanções contra juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), entre eles o francês Nicolas Guillou, que, de forma inesperada, ficou impedido de utilizar seu cartão de crédito Visa. Desde que a Comissão Europeia apresentou sua proposta em 2023, foram necessários mais de dois anos para que os Estados-membros chegassem a uma posição comum. Um dos principais obstáculos foi que parte dos parlamentares defendia uma solução desenvolvida pelo setor privado. Mas acabou prevalecendo a decisão de que o BCE comandaria a solução de infraestrutura para a moeda digital. No Brasil, a infraestrutura do Pix também é pública, feita pelo Banco Central.