Em 2022, Janete dos Santos Oliveira, professora concursada da rede pública de Imperatriz, no Maranhão, entrou num grupo de WhatsApp de educadores e viu uma mensagem sobre uma formação em educação financeira.

Ela estava endividada, tinha vendido os móveis de casa para pagar o tratamento do filho após um traumatismo craniano e dependia de doação de cesta básica para se alimentar.

Entrou na formação do IBS (Instituto Brasil Solidário) sem saber muito bem o que esperar. Três anos depois, Janete desenvolveu um projeto com alunos do ensino fundamental, levou-os até a Câmara Municipal e, em 2025, viu ser aprovada a Lei Ordinária 2076/2025, tornando a educação financeira política pública no município de Imperatriz. A história de uma professora em crise virou lei.

Conto isso porque, em maio, o Senado aprovou na Comissão de Assuntos Econômicos a PNEEF (Política Nacional de Educação Empreendedora e Financeira), que propõe incorporar o tema à Lei de Diretrizes e Bases da Educação. É um avanço real e é também um teste.

A educação financeira já consta como tema transversal obrigatório na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) desde 2017. O problema então nunca foi a norma, mas sim o que acontece entre a norma e a sala de aula.