Mais de 30 milhões de pessoas seguem sem acesso à água potável no país, segundo o Ranking do Saneamento 2026. A diferença entre os melhores e os piores municípios do Brasil chega a 70 pontos percentuais em coleta de esgoto. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento LTDA — Foto: Divulgação O Marco Legal do Saneamento Básico estabeleceu 2033 como prazo para que 99% dos brasileiros tenham acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Com sete anos restantes para o prazo, o Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, mostra que mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, e cerca de 90 milhões, quase metade da população, seguem sem coleta de esgoto. Uma distância que ainda separa bairros e cidades inteiras Entre os 100 maiores municípios do país, a diferença de desempenho é expressiva: os 20 melhores colocados no ranking têm 98,08% de cobertura de coleta de esgoto, contra apenas 28,06% nos 20 piores, uma diferença de 70 pontos percentuais. No tratamento de esgoto, os melhores municípios chegam a 77,97% de cobertura, enquanto os piores ficam em 28,36%. A EBS - Empresa Brasileira de Saneamento LTDA observa que essa disparidade não reflete apenas diferença de investimento total, mas também de constância: municípios que sustentam investimento contínuo ao longo de vários anos tendem a se consolidar entre os melhores colocados, enquanto cidades com aportes irregulares acabam perdendo posições mesmo depois de avanços pontuais. Investir menos de R$ 100 por habitante ainda é comum O levantamento mostra que, entre os 100 municípios mais populosos do país, 51 investem menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor considerado insuficiente para ampliar redes e sustentar a universalização dentro do prazo legal. Apenas 17 desses municípios investem mais de R$ 200 por habitante, patamar mais compatível com as metas de 2033. Para a EBS - Empresa Brasileira de Saneamento LTDA, esse contraste de investimento ajuda a explicar por que, mesmo com avanços pontuais em determinadas regiões, o país como um todo segue distante da universalização: sem aporte financeiro constante, mesmo cidades com bom desempenho recente podem regredir em poucos anos. O que essa lacuna significa no dia a dia da população? A ausência de água tratada e coleta de esgoto não é apenas uma estatística técnica: reflete diretamente em problemas de saúde pública, perda de produtividade no trabalho por doenças evitáveis, desvalorização imobiliária em áreas carentes de infraestrutura e queda geral na qualidade de vida de quem mora nesses territórios. Áreas urbanas que recebem investimento consistente em saneamento tendem, ao longo do tempo, a registrar valorização imobiliária e redução de custos de saúde pública, enquanto regiões que seguem sem cobertura adequada acumulam esses custos de forma silenciosa, sem que a conta apareça de forma explícita no orçamento de ninguém em particular. O que esperar dos próximos anos? Com o prazo de 2033 se aproximando, 2026 deve concentrar um número recorde de leilões de parcerias público-privadas no setor, previstos para atender mais de 470 municípios brasileiros. Para a EBS - Empresa Brasileira de Saneamento LTDA, o ritmo desses novos projetos, somado à continuidade dos investimentos já em curso, será determinante para reduzir a distância que ainda separa dezenas de milhões de brasileiros do acesso básico à água tratada e ao esgotamento sanitário. Passados seis anos desde a sanção do Marco Legal, o setor já demonstrou que é possível avançar quando há investimento constante e planejamento de longo prazo, como mostram os municípios que hoje ocupam as primeiras posições do ranking nacional. O desafio que resta é justamente levar essa mesma constância aos municípios que ainda concentram os piores indicadores, muitos dos quais dependem de recursos existentes e de parcerias com operadores especializados para reverter décadas de investimento insuficiente.