O colapso da Moratória da Soja elevará o desmatamento da amazônia brasileira em 17% na próxima década (2025-2035), em relação aos anos anteriores (2014-2024), e ameaçará áreas florestais equivalentes aos territórios de Portugal e Itália, diz análise publicada na revista Science nesta quinta-feira (16).

O artigo calcula que o fim do acordo provocará uma destruição adicional de 1,4 milhão de hectares de vegetação até 2035, na comparação com um cenário de permanência do pacto. Pela margem de erro, a derrubada extra poderá variar de 740 mil a 2 milhões de hectares.

A perda dessa cobertura vegetal lançará na atmosfera 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (entre 390 milhões e 1 bilhão de toneladas), segundo o levantamento, dificultando a meta climática do Brasil e o acesso a mercados internacionais.

A análise indica que 9,1 milhões de hectares de vegetação em terras privadas, o equivalente ao território português, poderão ser derrubados legalmente para cultivos. Outros 28,7 milhões de hectares em florestas públicas não destinadas, área próxima ao tamanho da Itália, estarão vulneráveis.

O trabalho é de autoria de pesquisadores das universidades de Wisconsin, Illinois e DePaul, nos Estados Unidos, em parceria com os segmentos brasileiros das organizações ambientalistas Greenpeace e WWF (Fundo Mundial para a Natureza). O artigo foi revisado por pares e recebeu financiamento do WWF Suíça.