Morto aos 83 anos, ele levou o conhecimento sobre vinhos para reportagens, documentários, cursos e redes sociais, unindo informação, cultura e gastronomia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em sua casa, em São Conrado, Renato Machado bebe duas tacinhas todos os dias — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo A morte do jornalista Renato Machado, aos 83 anos, nesta quinta-feira (16), encerra uma trajetória de mais de quatro décadas no telejornalismo brasileiro, mas também relembra uma faceta que ganhou espaço na sua carreira: a dedicação ao universo dos vinhos. Depois de cobrir alguns dos principais acontecimentos da história recente como repórter e correspondente internacional da TV Globo, ele passou a compartilhar o entusiasmo pela bebida em reportagens, documentários e projetos pessoais. Dos telejornais às vinícolas Durante sua segunda passagem como correspondente da TV Globo em Londres, entre 2011 e 2021, Renato aproveitou a proximidade com regiões produtoras da Europa para aprofundar o interesse pela enologia. Em 2014, apresentou no Jornal Hoje uma série de reportagens sobre a Provença, no sul da França, mostrando como o vinho se relaciona com a cultura, a gastronomia e as características naturais da região, incluindo a influência do vento mistral sobre os vinhedos. A paixão pelos vinhos também ganhou espaço em sua carreira. Entre 2000 e 2012, Renato Machado apresentou na CBN a coluna "Momento do Brinde", dedicada ao universo da bebida. Mais tarde, durante sua segunda passagem como correspondente da TV Globo em Londres, aprofundou esse interesse ao produzir reportagens sobre regiões vinícolas da Europa. Em 2014, apresentou no Jornal Hoje uma série sobre a Provença, na França, explorando a relação entre vinho, gastronomia e cultura local. "Faltava a Provence. O rosé de Provence é uma identidade regional no caminho da excelência. Passou a ter um peso, é um bom vinho", afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2024. Nos últimos anos, Renato também lançou um curso on-line sobre vinhos franceses e manteve ativa a divulgação do tema nas redes sociais. Em entrevista ao Estadão, contou que o interesse pela bebida começou na década de 1970, após ganhar o guia Hugh Johnson’s Pocket Wine Book, obra da qual chegou a escrever o prefácio da edição brasileira de 2008. "O que me arrebatou, em um primeiro momento, foi a redação dos verbetes. Assim como diz um personagem de Eça de Queiroz, meu escritor preferido, eu sou um apaixonado pela bela frase. E por vinhos." Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio. Segundo a TV Globo, ele deixa um legado no telejornalismo brasileiro e também na divulgação da cultura do vinho, tema que abraçou com o mesmo entusiasmo e curiosidade que marcaram sua carreira diante das câmeras.