Um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, Renato construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, onde também apresentou o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional e repórter especial. Filho de militar e formado em Direito, ele chegou a passar no concurso do Itamaraty, mas boicotou o exame de vista para seguir sua verdadeira vocação: ver o mundo de perto e relatar a história. Antes de estrear nas redações, experimentou a vida artística como ator e dublador, até ingressar no serviço brasileiro da rádio BBC, em Londres, no fim da década de 1960, e posteriormente atuar por 14 anos como repórter e editor internacional no Jornal do Brasil. Sua trajetória na TV Globo começou em 1982, a convite do então diretor Armando Nogueira. Rapidamente adaptado à dinâmica da televisão, Renato estreou na cobertura da Guerra das Malvinas. "Para ser telejornalista, é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra", disse ao "Memória Globo". Renato Machado no estúdio do Bom Dia Brasil — Foto: Reprodução/ Memória Globo Pouco depois, em 1983, viajou pela América Central para produzir reportagens especiais para o Globo Repórter, onde enfrentou cenários perigosos de conflitos civis e conseguiu uma entrevista exclusiva com o então líder guerrilheiro e futuro presidente nicaraguense, Daniel Ortega. Ainda em 1983, o jornalista assumiu o posto de correspondente no escritório de Londres, que foi sua base por seis anos de intensa produção. Não faltaram coberturas históricas nesse período: Renato cobriu o desastre nuclear de Chernobyl, em 1986 (acompanhado a partir da Suécia devido às restrições de entrada na Ucrânia) e os atentados terroristas em Paris no mesmo ano, ocasião em que chegou a ser detido pela polícia francesa ao filmar nos arredores de um presídio. De volta ao Brasil em 1988 como repórter especial, protagonizou momentos extremos, incluindo um voo supersônico a bordo de um caça Mirage da Força Aérea Brasileira. Após uma breve e bem-sucedida passagem pela TV Manchete em 1990, onde cobriu a Guerra do Golfo direto do Oriente Médio, Renato retornou à Globo no ano seguinte. Na emissora, participou ativamente de coberturas cruciais para a história do país, como o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor e a trágica morte de Ayrton Senna. Em 1996, Renato Machado assumiu a bancada e a edição-chefe do Bom Dia Brasil, onde permaneceu por 15 anos e liderou uma grande reformulação editorial. Sob seu comando, o telejornal matinal ganhou um formato mais dinâmico, informal e focado no comentário ao vivo, aproximando a notícia do telespectador. Ao lado de parceiras de bancada como Leilane Neubarth e Renata Vasconcellos, ele consolidou a identidade do programa e ancorou transmissões marcantes, como a cobertura das enchentes históricas que pararam o Rio de Janeiro em 2010. Renato Machado e Leilane Neurbath no cenário do Bom Dia Brasil — Foto: Acervo TV Globo O jornalista regressou a Londres em 2011 para uma nova temporada como correspondente, cobrindo crises europeias e ataques terroristas, além de produzir crônicas e séries especiais sobre comportamento e cultura. Em 2016, transferiu-se de volta ao Rio de Janeiro como repórter especial do Globo Repórter — trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Emmy Internacional pelo documentário "A Arte como Passaporte". Apaixonado por vinhos, Renato encerrou seu ciclo na emissora em novembro de 2021 e escrevia sobre o assunto em jornais e revistas. Ele deixa um legado inestimável de carisma, precisão e elegância na televisão brasileira.