Jornalista e grande incentivador dos vinhos no Brasil morreu nesta quinta-feira, aos 83 anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Renato Machado — Foto: Reprodução Quando ninguém por aqui falava em vinho, Renato Machado falava. E bem. Protagonizou um dos melhores programas sobre o universo da bebida que eu conheço: o "Reserva Especial", sucesso estrondoso em 2004, com oito anos de audiência que renderam DVDs que estouraram no mercado. Dividiu ainda com Troisgros o "Menu Confiance", outro sucesso de público da TV brasileira. Não perdia um. Elegante, culto, dominava vários idiomas. Bem antes disso e acima de tudo, Renato foi um grande jornalista. Foi editor da Internacional do Jornal do Brasil antes de ir para o jornal O GLOBO. Eu ainda era uma jovem estudante de jornalismo, estagiava no Jornal do Brasil, e volta e meia ele me chamava para um café. E me atualizava das últimos no mundo. Achava o máximo. Veja fotos da carreira e vida do jornalista Renato Machado 1 de 16 Renato Machado quando criança ao lado de sua cadela Bobbie — Foto: Reprodução / Redes Sociais 2 de 16 Renato Machado como Romeu sob a direção de Jô Soares, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, 1969 — Foto: Reprodução / Redes Sociais X de 16 Publicidade 16 fotos 3 de 16 Parte do grupo de teatro que Renato Machado participava — Foto: Reprodução / Redes Sociais 4 de 16 Renato Machado quando era editor-chefe no Jornal do Brasil — Foto: Reprodução / Redes Sociais X de 16 Publicidade 5 de 16 Renato Machado em 1965, quando trabalhou na rádio BBC em Londres. Na foto, Nara Leão — Foto: Reprodução / Redes Sociais 6 de 16 Começou sua trajetória como repórter no Jornal do Brasil, em 1969 e foi contratado pela Globo em 1982 — Foto: Acervo / Globo X de 16 Publicidade 7 de 16 Renato Machado, Sonia Braga e um assistente chamado Claudio aguardando Jorge Amado para uma entrevista em Cannes — Foto: Reprodução / Redes Sociais 8 de 16 Renato Machado e outros jornalistas na sede da Globo, em Londres, em 1980 — Foto: Reprodução / Redes Sociais X de 16 Publicidade 9 de 16 Renato Machado no Palácio Real da Dinamarca com a Rainha Margrethe, — Foto: Reprodução / Redes Sociais 10 de 16 Renato Machado gravando em frente à Abadia de Westminster, no casamento do Príncipe Andrew e Sarah Ferguson, em 1986 — Foto: Reprodução / Redes Sociais X de 16 Publicidade 11 de 16 Renato Machado na cobertura da Copa do Mundo da França, em 1998 — Foto: Reprodução / Redes Sociais 12 de 16 Renato Machado no 'Bom Dia Brasil', 2008 — Foto: Foto: Acervo/Globo X de 16 Publicidade 13 de 16 Renato no casamento da filha Duda Machado em 2023 — Foto: Reprodução / Redes Sociais 14 de 16 Renato Machado durante gravações do documentário sobre a região francesa da Provence gravado no Sul da França — Foto: Divulgação X de 16 Publicidade 15 de 16 Renato Machado e a neta — Foto: Reprodução/Instagram 16 de 16 Renato Machado em festa de família — Foto: Reprodução/Instagram X de 16 Publicidade Ex-apresentador do Bom Dia Brasil morreu, aos 83 anos, nesta quinta-feira (16) Voz bonita, empostada, fruto das aulas de teatro que cursou, foi seu passaporte carimbado para o universo televisivo. Um pulo certeiro com a sua desenvoltura e conhecimento dos assuntos mais variados: política, mundo, música clássica (organizava grupos de estudo em sua bela casa na Gávea com fila de espera), artes plásticas, gastronomia e vinhos. Sabia tudo. Com a televisão, âncora de jornais na TV Globo, virou um astro. Lembro de um encontro que tivemos no restaurante do Janjão Garcia, o Garcia&Rodrigues, no Leblon, quando um grupo de fãs chegou para pedir autógrafo ao Renato. Vaidoso, com o seu foulard no bolso do paletó, levantou a sobrancelha, abaixou os óculos e deu um meio sorriso orgulhosíssimo. Blasé, escreveu seu nome com letras graúdas no pedaço improvisado de papel. Nada de gracinhas. Rascante. Fingia que não, mas adorava a tietagem de artista. Quando adentrava nos restaurantes, o salão parava para testemunhar a sua chegada. Um desfile. E os garçons tremiam. Rigoroso, implicava com tudo, a temperatura do vinho, o balanço da garrafa, a retirada da rolha incorreta… Era tenso dividir taças com ele, mas compensava com suas histórias deliciosas. Era um grande contador de passagens maravilhosas. Sempre me rendiam um plus nos meus escassos conhecimentos especialmente sobre vinhos. Viveu 83 anos, acho que muito bem vividos. Um brinde a esse bissexto parceiro de garfo, faca e taças quando a enogastronomia ainda engatinhava por aqui. Foi professor, desbravador e impulsionador da boa mesa carioca. E um super jornalista que brilhou em todas as posições em que atuou. Tintin, mestre, só agradecimentos.