Dado do varejo dos EUA sugere que economia segue forte e pode exigir alta de juros, enquanto movimento amplo de redução de risco dos portfólios globais penaliza moedas de economias emergentes Dólar hoje sobe em dia de valorização global da moeda americana — Foto: Scott Eells/Bloomberg O mercado local de câmbio segue a tendência global de valorização do dólar nesta quinta-feira (16), após um dado do setor varejista americano reiterar a leitura de que a economia dos Estados Unidos segue forte e pode requerer aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed), a fim de levar a inflação de volta à meta de 2%. Além disso, há um movimento amplo de redução de risco dos portfólios globais, o que penaliza, em particular, as moedas de economias emergentes. Por volta de 13h05, o dólar comercial exibia alta de 0,30% no mercado à vista, a R$ 5,0934, após tocar a máxima intradiária de R$ 5,1044 e a mínima de R$ 5,0823. Já o dólar futuro para agosto avançava 0,27%, a R$ 5,1130, e o euro comercial subia 0,13%, a R$ 5,8291. O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra seis divisas pares, subia 0,23%, aos 100,716 pontos. Contra pares do real, o dólar se valorizava em 0,36% ante o peso mexicano e em 0,60% contra o rand sul-africano. O dólar mostra tendência de alta a nível global desde o início da sessão de hoje, recuperando parte das suas perdas recentes e diante de um apetite por risco mais tímido dos investidores. A apreciação da divisa americana se intensificou após a divulgação das vendas no varejo dos Estados Unidos em junho, que cresceram 0,2% ante maio, corroborando a expectativa do mercado. Embora o dado não tenha surpreendido, ele reforçou a leitura de que a atividade da maior potência econômica do mundo não dá sinais de desaceleração, o que pode dificultar a redução da inflação à meta do Fed, de 2%. Assim, o desempenho do varejo americano deu tração à expectativa por algum aumento de juros nos Estados Unidos neste ano - ainda que, na visão do mercado, ele não deva ocorrer na próxima reunião do Fomc, em 29 de julho, após dados mais fracos de inflação no país. No caso do Brasil, as vendas no varejo restrito em maio decepcionaram a expectativa do mercado ao subir apenas 0,1% ante abril, bem abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo VALOR DATA, que apontava alta de 0,7%. O dado se juntou a várias divulgações recentes que mostraram certa desaceleração da economia brasileira, ampliando a chance de que a Selic volte a cair nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Com a expectativa de juros estáveis ou em alta nos Estados Unidos e de queda da Selic no Brasil, o diferencial de juros entre as duas economias diminui, reduzindo a atratividade relativa do real para operações de “carry trade” - que consistem em tomar dinheiro emprestado a juros baixos e aplicá-los em economias com taxas mais altas, a fim de lucrar com a diferença entre os juros. De qualquer forma, o real hoje não exibe um desempenho pior em relação a outras moedas emergentes, o que sugere que o principal vetor da força do dólar é global. “Estamos em linha com peso mexicano e rand sul-africano. o dólar está se fortalecendo frente a maioria das moedas”, pontua Marcos Weigt, diretor da tesouraria do Travelex Bank. Ele acrescenta, ainda, que a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil, anunciada na noite de ontem, tem pouco efeito econômico e nos mercados. “As nossas exportações para os EUA já diminuíram bem, foram mais que compensadas pelo aumento de exportações para a China, principalmente pelo volume e aumento de preços das exportações de petróleo. Portanto, o efeito prático dessas novas tarifas está localizado em setores e empresas específicas, mas não afeta o mercado como um todo”, avalia.