Discurso será realizado em um momento em que os republicanos enfrentam dificuldades para manter o controle do Congresso nas eleições de novembro O presidente Donald Trump, membro do Marine One, pronunciou um discurso na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos em Carlisle, Pensilvânia, no mês de julho de 15 de julho de 2026, durante o Cumbre de Defesa e Inovação da Pensilvânia — Foto: AP/Julia Demaree Nikhinson O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja fazer um pronunciamento em horário nobre nesta quinta-feira focado na segurança nas eleições, trazendo novamente à tona as críticas de longa data aos sistemas de votação e à administração eleitoral, em um momento em que os republicanos enfrentam dificuldades para manter o controle do Congresso nas eleições de novembro. A Casa Branca ainda avalia se o discurso de Trump incluirá a divulgação de informações sigilosas de inteligência relacionadas à intenção ou à capacidade da China de interferir na eleição presidencial americana de 2020, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters. Segundo elas, alguns integrantes do governo temem que essas informações possam ser enganosas. O discurso, que consta na agenda do presidente, está previsto para 21h (horário de Washington, 22h em Brasília). Ainda não está claro se as redes de televisão concederão espaço na programação para o discurso de Trump, prática normalmente reservada a pronunciamentos de grande relevância nacional. Alguns democratas pediram que as emissoras não transmitam o discurso, argumentando que Trump provavelmente repetirá alegações já desmentidas sobre as eleições. "Como de costume, fontes anônimas estão especulando sobre o que o presidente Trump dirá em seu discurso na noite de quinta-feira", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. "A verdade é que ninguém sabe ainda o que o presidente Trump acabará dizendo." Trump passou anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, afirmando falsamente que a derrota para o democrata Joe Biden em 2020 foi fraudada. Ele também promoveu outras alegações falsas, incluindo a de que a votação pelo correio é amplamente marcada por fraudes, que as máquinas de votação são vulneráveis e que o voto de não cidadãos é disseminado. Diversos tribunais e processos de recontagem de votos não encontraram evidências de fraude em larga escala na eleição de 2020. As informações de inteligência sobre a China, coletadas durante o primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021, não mostraram que Pequim tenha manipulado ou alterado votos, disseram as fontes à Reuters. Uma força-tarefa da Casa Branca liderada pelo jornalista conservador John Solomon solicitou recentemente à comunidade de inteligência documentos detalhando essas informações e passou as últimas semanas analisando o material antes do discurso de Trump, segundo uma fonte familiarizada com o trabalho do grupo. Nos últimos meses, Trump também pressionou os republicanos no Senado a avançar com um projeto de lei, o SAVE America Act, que exigiria documento oficial com foto para votar e comprovação da cidadania americana para o registro eleitoral, além de obrigar os Estados a compartilhar informações sobre eleitores registrados com o governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a proposta restringiria votos legítimos. Alguns líderes republicanos têm aconselhado Trump a concentrar sua atenção em temas considerados mais importantes para os americanos, como o alto custo de vida, em vez de voltar a discutir a eleição de 2020. "Não sei o que ele vai dizer", afirmou o líder da maioria no Senado, John Thune, ao ser questionado na quarta-feira se aconselharia Trump a evitar falar sobre a eleição de 2020. "A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acredito que a maioria dos meus colegas também." Os republicanos enfrentam um cenário político desfavorável às vésperas das eleições de meio de mandato, com a popularidade de Trump em terreno negativo e os eleitores profundamente insatisfeitos com a guerra contra o Irã e os elevados preços da energia decorrentes do conflito. Os democratas precisam conquistar apenas três cadeiras atualmente ocupadas pelos republicanos para obter a maioria na Câmara dos Representantes. Já no Senado, porém, enfrentam uma disputa muito mais difícil, com eleições decisivas ocorrendo em Estados de tendência republicana. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o partido está se preparando para uma eventual tentativa da Casa Branca de manipular a eleição de novembro. "Eles sabem que não conseguem vencer a eleição de forma justa", disse Schumer. "Por isso, não descartamos que tentem fazer tudo o que estiver ao alcance deles."