Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, retirou sete oficiais de lista de promoção, incluindo a primeira mulher a comandar um porta-aviões nuclear americano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chega a uma cerimônia com a Força-Tarefa 'DC Safe and Beautiful' e a Guarda Nacional no Meridian Hill Park, em Washington, em 2 de julho de 2026 — Foto: Alex Kent / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 17:17 Decisão de Defesa dos EUA Bloqueia Promoção de Mulheres a Almirante Pela primeira vez em uma década, nenhuma mulher será promovida a almirante na Marinha dos EUA após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, bloquear promoções de sete oficiais, incluindo cinco mulheres ou minorias. Entre os excluídos está Amy Bauernschmidt, primeira mulher a comandar um porta-aviões nuclear. Críticos afirmam que a decisão ignora méritos e pode violar regras do Pentágono. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, bloqueou recentemente a promoção de sete oficiais de alta patente da Marinha ao posto de contra-almirante de duas estrelas, cinco dos quais são mulheres ou pertencem a minorias raciais, segundo atuais e ex-integrantes da área de Defesa. A medida, considerada altamente incomum, significa que, pela primeira vez em mais de uma década, nenhuma mulher da ativa na Marinha americana deverá ser promovida ao posto de almirante neste ano, afirmaram autoridades. A lista original continha 22 oficiais selecionados por um conselho de promoção composto por almirantes de alta patente. O grupo concluiu que os indicados ao posto de duas estrelas estavam entre os profissionais de melhor desempenho da Marinha ao longo de carreiras que, em muitos casos, ultrapassam 25 anos. Entre os nomes retirados da lista está a contra-almirante Amy Bauernschmidt, escolhida em 2020 para se tornar a primeira mulher a comandar a tripulação de um dos 11 porta-aviões nucleares da Marinha dos EUA, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato. Hegseth não apresentou justificativa para retirar Bauernschmidt ou os demais oficiais da lista de promoções. No entanto, nos últimos anos ele tem afirmado que as Forças Armadas passaram a dar atenção excessiva à promoção de mulheres e minorias raciais, em detrimento dos homens brancos. “As promoções por ação afirmativa dispararam, e os ‘pioneiros’ passaram a ser o fator mais importante para preencher novos comandos”, escreveu Hegseth nas páginas iniciais de seu livro de 2024, "The War on Warriors" (“A Guerra contra os Guerreiros”). “Não vamos parar até que mulheres negras, trans, lésbicas comandem tudo.” O livro não apresentou dados que sustentassem essa afirmação. As mulheres representam cerca de 21% do efetivo ativo da Marinha, mas ocupam apenas aproximadamente 7% dos postos de almirante na ativa. Hegseth já demitiu ou afastou mais de 20 generais e almirantes, incluindo a almirante Lisa Franchetti, a primeira mulher a comandar a Marinha dos EUA, dispensada no ano passado. Ele também retirou cerca de 40 oficiais superiores de listas de promoção aprovadas por conselhos compostos por colegas de carreira. Mais da metade dos militares afastados ou retirados de listas de promoção por Hegseth são mulheres ou negros. Ainda assim, pelo menos uma oficial da reserva da Marinha foi indicada para promoção ao posto de almirante de uma estrela neste ano. Após serem indicados, os oficiais ainda precisam ter suas promoções confirmadas pelo Senado. Críticas no Congresso Em carta enviada em 6 de julho, sete senadores democratas afirmaram que as decisões de Hegseth pareciam ignorar os méritos dos oficiais excluídos e contrariavam “a ideia de uma força militar apartidária”. Os parlamentares também argumentaram que as medidas parecem violar as regras do Pentágono, segundo as quais o secretário de Defesa só deveria retirar nomes das listas de promoção em casos de falhas morais, mentais, físicas ou profissionais que coloquem em dúvida a capacidade de liderança do oficial. Na carta, os senadores pediram a Hegseth informações sobre o perfil demográfico dos militares retirados das listas, a base legal utilizada para remover os nomes e as justificativas para as decisões. O Pentágono se recusou a responder às perguntas do New York Times sobre o caso. Em vez disso, um porta-voz acusou o jornal de ter uma "obsessão tóxica por raça e identidade". A Marinha também não comentou o assunto. Mulheres nas Forças Armadas Antes de ser indicado para chefiar o Pentágono, Hegseth criticou a decisão tomada pelo governo de Barack Obama, em 2015, de permitir que mulheres servissem em unidades de combate terrestre. — Isso não nos tornou mais eficazes. Não nos tornou mais letais — afirmou em um podcast em novembro de 2024. Meses depois, durante sua sabatina de confirmação no Senado, suavizou a posição e afirmou que mulheres deveriam poder atuar em unidades de combate desde que fossem submetidas aos mesmos testes físicos exigidos dos homens. — Quando falo sobre esse tema, não se trata da capacidade de homens ou mulheres — disse. — Trata-se de padrões. Em dezembro do ano passado, o Pentágono iniciou uma revisão de seis meses sobre a presença de mulheres em unidades de combate terrestre para avaliar se ela afeta a eficácia operacional dessas formações. A maior parte das funções de combate na Marinha está aberta às mulheres desde 1993, quando o Congresso revogou restrições que impediam sua atuação em aeronaves e navios de combate. Em todas as Forças Armadas, responsáveis pela comunicação institucional receberam orientações discretas para revisar publicações em redes sociais e remover referências à “primeira mulher” ou ao “primeiro afro-americano” a alcançar determinados marcos militares. Uma mobilização semelhante foi feita em favor de Bauernschmidt. Diversos oficiais de alta patente da Marinha, incluindo pelo menos um almirante de quatro estrelas, intercederam para atestar sua competência e seu caráter. Mas isso não foi suficiente para preservar sua promoção. Alguns dos oficiais retirados das listas por Hegseth optaram pela aposentadoria. Bauernschmidt, porém, informou a colegas que pretende continuar lutando pela promoção que considera ter conquistado por mérito, segundo um funcionário do Departamento de Defesa. A decisão alimentou preocupações entre militares da ativa e da reserva sobre o espaço ocupado por mulheres nas Forças Armadas e sobre uma possível retração das oportunidades de ascensão na carreira. Em 1989, a Marinha escolheu sua primeira mulher para comandar um navio da força logística de combate. Na ocasião, o então chefe de pessoal da Marinha, vice-almirante Jeremy M. Boorda, enviou uma carta às 184 oficiais de guerra de superfície da corporação. “Espero ansiosamente pelo dia, em breve, em que isso deixará de ser um acontecimento especial”, escreveu. “Estamos chegando lá, e isso se deve aos seus esforços, à sua dedicação e à sua capacidade de cumprir a missão. Tenho orgulho de vocês.”