Das 201 pessoas indicadas para cargos de alta patente em 2026, apenas oito são mulheres, o equivalente a 4% — menos da metade da média registrada na última década 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, testemunha perante um subcomitê de Dotações da Câmara em Washington, em 12 de maio de 2026 — Foto: Haiyun Jiang / The New York Times O bloqueio de promoções de mulheres para altos cargos nas Forças Armadas pelo secretário de Defesa Pete Hegseth contribuiu para que a porcentagem de indicações de mulheres a essas posições atingisse o menor nível em pelo menos 25 anos, segundo uma análise do New York Times. Das 201 pessoas indicadas para cargos de alta patente em 2026, apenas oito são mulheres, o equivalente a 4% — menos da metade da média registrada na última década. Mais mulheres ainda podem ser promovidas neste ano. Além disso, o número anual de indicadas para promoções de alta patente é relativamente pequeno, de modo que os percentuais podem variar significativamente em função de apenas alguns casos individuais. Em 2012, por exemplo, a proporção de indicações femininas para altos cargos também ficou abaixo de 5%. No entanto, a participação feminina nas indicações de 2026 seria maior se não fossem as ações de Hegseth. Nos últimos meses, ele bloqueou o envio ao Senado de pelo menos 40 promoções para altos cargos — algumas envolvendo homens brancos, mas cerca de metade envolvendo mulheres e pessoas negras ou de outras minorias raciais. Trata-se de uma queda expressiva em relação a 2025, quando as mulheres atingiram a maior participação já registrada entre os indicados para altos cargos durante o primeiro ano de Hegseth como secretário de Defesa. Ele não divulgou os motivos para bloquear essas promoções, mas já argumentou que as iniciativas anteriores de diversidade no Pentágono prejudicaram as Forças Armadas. — Por tempo demais, promovemos líderes militares pelos motivos errados — afirmou em um discurso a comandantes militares em setembro do ano passado. — Com base na raça, em cotas de gênero ou em chamados marcos históricos. Essas promoções para altos cargos, entretanto, são extremamente competitivas. Para as patentes de general ou almirante de uma e duas estrelas, conselhos de seleção de cada ramo das Forças Armadas realizam uma análise detalhada da experiência, do histórico profissional e das necessidades da instituição antes de aprovar um candidato. Alguns dos oficiais cujas promoções foram bloqueadas por Hegseth haviam defendido publicamente a importância da diversidade. A queda nas indicações de mulheres para cargos de alta patente, como general e almirante, contrasta com as promoções para postos de nível inferior, como capitão e major, que somam milhares de casos por ano. Cerca de 23% dessas promoções foram destinadas a mulheres neste ano — a maior proporção registrada na análise do Times. Isso reflete o papel cada vez mais importante que as mulheres passaram a desempenhar nas Forças Armadas ao longo da última década. O Pentágono não respondeu às perguntas específicas sobre os dados, que o The New York Times reuniu por meio da análise de 25 anos de indicações de promoção que exigem aprovação do Senado e são registradas no Congressional Record. No entanto, Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, afirmou em nota que as reportagens do jornal sobre gênero "perdem completamente o ponto central". "O Departamento de Guerra promove oficiais exclusivamente com base no mérito, no desempenho e no potencial de liderança", afirmou. "Há muitas mulheres altamente qualificadas servindo com distinção em nossas fileiras, e toda oficial selecionada para promoção, independentemente do gênero, conquistou esse avanço por meio da excelência demonstrada." Hegseth era secretário de Defesa em 2025, quando as mulheres atingiram um recorde de 13% entre os indicados para altos cargos. Naquele ano, porém, elas representavam uma parcela maior de um grupo menor de indicados, já que houve menos promoções para altos postos do que em qualquer outro momento dos últimos 25 anos. Pelo menos uma lista de promoções foi adiada para 2025 depois que o secretário do Exército, Daniel P. Driscoll, recusou uma ordem de Hegseth para retirar dois oficiais negros e duas oficiais mulheres da lista. No total, as oito mulheres indicadas para cargos de alta patente nos primeiros sete meses deste ano representam menos de um terço do número registrado em anos recentes, segundo a análise do Times. Depois de aprovados pelos conselhos de seleção, os nomes seguem para autoridades do Departamento de Defesa, incluindo o secretário de Defesa. Ele pode adiar ou retirar nomes da lista caso os candidatos não atendam aos padrões exigidos de conduta ou sejam considerados “mental, física, moral ou profissionalmente incapazes”. As indicações para generais de três e quatro estrelas — alguns dos cargos mais exclusivos das Forças Armadas — normalmente são escolhidas pelos comandos militares antes de serem enviadas ao secretário de Defesa, que então seleciona um nome para encaminhar ao presidente. As maiores quedas nas promoções de mulheres ocorreram na Marinha e na Força Aérea. Se a tendência continuar, este será o primeiro ano, desde pelo menos 2001, em que nenhuma oficial da ativa da Marinha será promovida ao posto de almirante. Recentemente, Hegseth bloqueou a promoção de diversas mulheres e pessoas negras ou de outras minorias ao posto de almirante de duas estrelas. Existem também outros fatores que ajudam a explicar por que o número de mulheres indicadas para altos cargos costuma ser relativamente baixo em determinados anos, afirma Kelly Atkinson, cientista política sênior da RAND, um instituto de pesquisa independente. Estudos mostram que as mulheres tendem a deixar a carreira militar mais cedo do que seus colegas homens. Além disso, elas só passaram a poder atuar em determinadas funções de combate a partir de 1993. As promoções para postos de menor patente — das quais quase um quarto foi destinado a mulheres neste ano — refletem de forma mais fiel a composição geral das Forças Armadas em relação ao gênero. Em 2024, as mulheres representavam cerca de 18% do efetivo militar da ativa, segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. De acordo com Atkinson, o processo de promoção para essas patentes inferiores é mais estruturado e previsível. Hegseth também tem buscado reduzir o número total de generais e almirantes, determinando uma redução de 20% nos oficiais de quatro estrelas e de 10% no total de oficiais de alta patente. Além disso, ele demitiu ou afastou mais de duas dezenas de generais e almirantes.
Com Hegseth no Departamento de Defesa, promoções de mulheres aos mais altos cargos militares nos EUA caem ao menor nível em 25 anos
Das 201 pessoas indicadas para cargos de alta patente em 2026, apenas oito são mulheres, o equivalente a 4% — menos da metade da média registrada na última década






