Acabo de me dar conta de que ainda não tinha abordado o monasticismo neste espaço. É uma lacuna gigantesca, considerando a importância da tradição monástica para a história religiosa do mundo, seja nas comunidades cristãs, seja em outras fés. Começo a sanar isso falando de uma obra que é um relato das agruras e da beleza dessa tradição sob a perspectiva desta década do século 21 –sim, ainda existem monges no Brasil de 2026, por mais estranho que isso possa parecer para alguns.
E também ex-monges, como Tito Leite, autor de "A Casa dos Malditos" (editora Zahar, 168 págs.). Natural do Ceará, o escritor vivia, até pouco tempo atrás, num mosteiro beneditino em Olinda, e narra com tremenda honestidade tanto os motivos que o levaram a se afastar da ordem monástica quanto os que o tinham atraído para a vida no claustro de início.
Fico tentado a descrever o livro de Leite, meio de brincadeira, como uma mistura das célebres "Confissões" de santo Agostinho (354-430 d.C.) com "O Nome da Rosa", de Umberto Eco – cujo principal cenário também é um mosteiro da Ordem de São Bento, afinal de contas. (Aqui, posso estar sendo influenciado por ter relido o romance de Eco pela enésima vez não faz muito tempo.)









