O volume de serviços prestados no país caiu 0,4% em maio, ante abril, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril houve avanço de 1,1% ante março (após revisão de dado divulgado inicialmente como alta de 1,2%). Na comparação com maio de 2025, o indicador subiu 0,4%. No resultado acumulado em 12 meses até maio, houve aumento de 2,6%. Já o acumulado no ano até maio é de crescimento de 1,9%. A queda na série com ajuste sazonal foi mais intensa que a mediana das estimativas de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de recuo de 0,1%, em maio ante abril. O intervalo das projeções coletadas pelo Valor Data ficou entre queda de 0,7% a alta de 0,9%, para o desempenho de maio. Já a expectativa mediana para o resultado de maio ante igual mês de 2025 era de alta de 0,7%, com intervalo de projeções entre alta de 0,1% a aumento de 1,7%. Com o desempenho de maio, os serviços estão em patamar 19,6% superior ao do pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Também fica, em maio de 2026, 0,5% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025. O IBGE informou ainda que a receita nominal subiu 0,3% na passagem entre abril e maio. Na comparação com maio de 2025, a receita de serviços teve alta de 6,9%. No ano e em 12 meses, a receita acumula aumentos de 7,3% e de 7,4%. Em maio ante abril, 18 das 27 unidades da federação investigadas registraram taxas negativas, na variação de volume de serviços, com destaques nos recuos observados em Paraná (-2,3%), Rio Grande do Sul (-2,0%), Distrito Federal (-1,6%) e Mato Grosso (-2,5%). Em contrapartida, nessa mesma comparação, houve destaques positivos, na variação de volume de serviços, em Rio de Janeiro (1,0%), Bahia (2,2%), São Paulo (0,1%) e Alagoas (3,6%). Patamar elevado A economia de serviços mostrou em maio movimento de acomodação em patamar ainda elevado, ligeiramente abaixo do nível mais elevado da atividade, na ótica da PMS, observou Rodrigo Lobo, pesquisador do IBGE e gerente da pesquisa. Na PMS, o volume de serviços mostrou recuo de 0,4% em maio ante abril, após subir 1,1% em abril ante março. Quando questionado se o resultado do quinto mês do ano, aliado a uma frequência maior de taxas próximas a zero em meses anteriores, poderia ser interpretado como indício de “perda de fôlego” da atividade, ele discordou. O especialista ponderou que, das cinco grandes atividades de serviços em maio, a maioria se posiciona muito próxima ao ponto mais elevado de suas respectivas séries, na PMS. E, em maio, serviços como um todo se posicionou apenas 0,5% abaixo do ponto mais alto da série, em outubro do ano passado. Assim, para o especialista, o mais correto seria dizer que a atividade de serviços mostrou “acomodação” em ponto próximo a ponto mais elevado da série. Atividades Quatro das cinco atividades acompanhadas pela PMS tiveram queda, ou desaceleração, na variação do volume de serviços, na passagem de abril a maio. Os retornos às taxas negativas foram registrados em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (de 0,9% para -1%, de abril a maio) e em outros serviços (de 1,9% para -1,9%). Outros dois grupos tiveram desaceleração – sendo que um deles, com a desaceleração, retornou à estabilidade, também de abril a maio. É o caso, respectivamente, de serviços prestados às famílias (de 1,4% para 0,2%); e de serviços de informação e comunicação (de 0,7% para 0%). Já serviços profissionais, administrativos e complementares foi a única atividade a mostrar aceleração no volume de variação de serviços de abril a maio (de 0,5% para 1,9%). Transportes O volume de transporte de passageiros mostrou queda de 1,3% em maio ante abril. Isso na prática “devolveu” parte do ganho de 2,6% em alta de volume de passageiros, observado em abril ante março, informou o instituto. Ante igual mês do ano anterior, sem ajuste sazonal, o transporte de passageiros recuou 8,3% em maio de 2026. No indicador acumulado de janeiro a maio deste ano, o transporte de passageiros mostrou retração de 1,1% frente a igual período de 2025. Em comunicado sobre a pesquisa, o IBGE detalhou que, com o aumento, o volume de transporte de passageiros ficou 3% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 21% abaixo de fevereiro de 2014 (ponto mais alto da série histórica). Outro segmento pesquisado pelo IBGE, no estudo, foi de volume do transporte de cargas. Essa categoria teve queda de 0,2% em maio de 2026, no volume de serviços, ante abril, terceiro resultado negativo seguido - período em que acumulou perda de 1,8%. Ante maio do ano passado, transporte de cargas mostrou retração de 2,8%, na variação de volume de serviços. No acumulado do ano até maio, a variação no volume transporte de cargas acumula alta de 0,2%. Dessa forma, o segmento se situa 6,1% abaixo do ponto mais alto de sua série (julho de 2023). Também com o resultado do quinto mês do ano, na comparação com nível pré-pandemia, o transporte de cargas ficou, em maio desse ano, 35,7% acima de fevereiro 2020, detalhou ainda o IBGE. Na PMS, a variação no volume de serviços total, em maio ante abril, mostrou queda de 0,4%, na média nacional. — Foto: Peggy_Marco/Pixabay