Usina da Nippon Steel — Foto: Divulgação A Nippon Steel registrou o maior lucro por tonelada de aço bruto entre as principais siderúrgicas integradas do mundo no primeiro trimestre, mesmo diante de um cenário desafiador, marcado pela superprodução chinesa e pela fraca demanda no mercado doméstico. O cálculo, feito pelo "Nikkei Asia", divide o lucro antes de juros e impostos — ou indicadores equivalentes, como o lucro operacional — pelo volume de aço bruto produzido. Desconsiderando a US Steel, adquirida no ano passado, a Nippon Steel liderou o ranking entre janeiro e março, com lucro de cerca de 17 mil ienes (US$ 105) por tonelada, alta de 44% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa também ocupou a primeira posição no primeiro trimestre do ano passado. O desempenho reflete uma série de reformas estruturais. Antecipando a queda de longo prazo da demanda doméstica e a deterioração do mercado de exportação, a companhia reduziu o número de altos-fornos de 15 para 10 até 2025, cortando custos fixos. Ao mesmo tempo, ampliou a participação de produtos de maior valor agregado, como chapas de aço de alta resistência voltadas à indústria automobilística. Outro diferencial foi o fortalecimento do poder de negociação de preços. Entre 2021 e 2022, a Nippon Steel passou a definir os preços de grandes contratos antes do embarque, o que permitiu repassar com mais agilidade as oscilações nos custos de matérias-primas, como carvão metalúrgico e minério de ferro, preservando as margens. A empresa também estreitou a colaboração com montadoras desde a fase de desenvolvimento dos veículos. Em outubro, iniciou um projeto conjunto com a Mazda Motor para desenvolver chapas de aço a partir da seleção dos materiais e já garantiu uma encomenda em larga escala para o novo utilitário esportivo CX-5. Na área de suprimentos, a siderúrgica reforçou sua estratégia de garantir acesso estável a matérias-primas por meio de participações em minas. Em março de 2025, adquiriu 20% de uma mina australiana de carvão metalúrgico da Whitehaven Coal e, em setembro, comprou 30% de uma mina canadense de minério de ferro. Como cerca de 40% das vendas da Nippon Steel vêm das exportações, a empresa está mais exposta às oscilações dos preços internacionais do aço. Segundo Atsushi Yamaguchi, analista sênior da SMBC Nikko Securities, a participação em minas ajuda a compensar eventuais altas nos custos das matérias-primas. Entre as grandes siderúrgicas integradas, a indiana JSW Steel foi a que apresentou a maior evolução na rentabilidade. O lucro por tonelada avançou 72% na comparação anual, para 14,8 mil ienes, garantindo a segunda posição no ranking. O desempenho foi impulsionado pelo forte crescimento da demanda por aço na Índia, favorecida pela expansão populacional e econômica. Segundo o Ministério do Aço do país, o consumo aumentou 8% no ano fiscal de 2025, para 164 milhões de toneladas. A restrição da oferta doméstica também contribuiu para elevar a lucratividade da empresa. Já a chinesa Baoshan Iron & Steel (Baosteel) manteve-se entre as maiores produtoras globais, apesar da demanda enfraquecida pela desaceleração econômica da China, exportando parte do excedente de produção. Por concentrar sua produção em aços de menor valor agregado, a Baosteel é mais vulnerável às oscilações do mercado. Seu lucro por tonelada cresceu apenas 1%, para 5,3 mil ienes — cerca de um terço do registrado pela Nippon Steel. Um dos principais desafios para a companhia japonesa continua sendo a integração da US Steel. A siderúrgica americana registrou prejuízo de cerca de 2,1 mil ienes por tonelada de aço produzida no primeiro trimestre. Para reverter esse desempenho, a Nippon Steel vem adotando medidas para elevar a eficiência operacional da subsidiária, incluindo o aumento da utilização de suas usinas. A meta é que a US Steel registre lucro operacional de 100 bilhões de ienes no ano fiscal encerrado em março de 2027, desconsiderando ganhos e perdas com desvalorização de estoques, após prejuízo de 5,6 bilhões de ienes no exercício anterior.
Lucro por tonelada da Nippon Steel sobe 44% e lidera ranking global
Lucro por tonelada da Nippon Steel sobe 44% e lidera ranking global








