Usina da Nippon Steel — Foto: Bloomberg Mais de um ano depois da aquisição da U.S. Steel, a Nippon Steel enfrenta dificuldades para mostrar os frutos dessa aquisição, já que o aumento das taxas de juros agrava ainda mais o peso da enorme dívida contraída pela empresa japonesa para financiar o negócio. No final de fevereiro, a Nippon Steel anunciou a emissão de títulos conversíveis no exterior para refinanciar cerca de 2 trilhões de ienes (US$ 12,4 bilhões) em empréstimos bancários para a aquisição. A siderúrgica já havia emitido cerca de 300 bilhões de ienes em títulos conversíveis. Investidores, não querendo perder a oportunidade desta vez, inundaram as corretoras com pedidos de compra. "Recebemos consultas mesmo antes do anúncio, o que demonstra a força da demanda", afirmou um representante do departamento de mercado de capitais da Nomura Securities. A Nippon Steel anunciou inicialmente a emissão de 550 bilhões de ienes em títulos conversíveis, mas elevou o valor para 600 bilhões de ienes apenas três horas depois. Títulos conversíveis são títulos corporativos que podem ser convertidos em ações a um preço predeterminado. Se o preço das ações ultrapassar esse valor até o vencimento, os investidores lucram com a venda. O forte interesse dos investidores é "resultado do apoio à estratégia de médio a longo prazo da Nippon Steel, centrada na U.S. Steel", afirmou o representante da Nomura. No entanto, o preço das ações da siderúrgica japonesa tem oscilado desde que atingiu quase 700 ienes em fevereiro, chegando à mínima do ano de 531 ienes em 11 de junho. Enquanto o índice “Nikkei Asia” disparava, as ações da Nippon Steel despencavam. Um dos fatores que contribuem para essa queda são as preocupações com a saúde financeira da empresa. Em março, a Nippon Steel também recebeu um empréstimo de 900 bilhões de ienes do Banco Japonês para Cooperação Internacional e de outros quatro bancos, em um esforço adicional para refinanciar a aquisição da U.S. Steel. A dívida com juros da Nippon Steel disparou para 5,17 trilhões de ienes no final do ano fiscal daquele mês – um aumento de 2,66 trilhões de ienes em relação ao ano anterior. A relação dívida/patrimônio líquido da Nippon Steel, um indicador de solidez financeira, atingiu 0,71 no final de março, já alcançando a meta de cerca de 0,7 estabelecida em seu plano de gestão de médio a longo prazo até março de 2031. A Nippon Steel prometeu ao governo dos Estados Unidos investir US$ 11 bilhões na U.S. Steel até 2028. A empresa teria pouca margem para aumentar sua dívida se priorizar a solidez financeira. Mas, dado o compromisso de investimento, pode não ter outra escolha a não ser contrair mais empréstimos. A alta das taxas de juros é outro obstáculo. Os pagamentos de juros e outros custos financeiros mais que dobraram no ano encerrado em março, atingindo 101,2 bilhões de ienes. O uso de empréstimos-ponte com juros elevados para financiar a aquisição parece ter tido um impacto significativo. Mesmo após o refinanciamento para empréstimos de longo prazo em março deste ano, a expectativa é de que o ônus dos juros da empresa aumente ainda mais no ano fiscal que termina em março de 2027. "Com o aumento das taxas de juros, a U.S. Steel está sobrecarregada com uma dívida considerável", afirmou Takahiro Mori, vice-presidente do conselho e vice-presidente executivo da Nippon Steel. As taxas de juros de longo prazo no Japão chegaram a 2,8% em maio, enquanto nos Estados Unidos permanecem elevadas, em torno de 4,5%. Como a Nippon Steel assumiu não apenas os fundos para adquirir a U.S. Steel, mas também a dívida da empresa, os pagamentos de juros, que acompanham o aumento das taxas de juros, serão um grande obstáculo para a matriz japonesa, que auxilia a subsidiária americana na reestruturação. "Precisamos elevar a lucratividade para superar esse ônus", declarou Mori. A U.S. Steel registrou um prejuízo operacional subjacente, que exclui perdas com a desvalorização de estoques, de 5,6 bilhões de ienes no ano encerrado em março. A melhoria desse resultado liberará recursos para o pagamento de juros. Em uma fábrica de tubos de aço da U.S. Steel em Fairfield, Alabama, grande parte das extremidades dos tubos produzidos ali era descartada antes da aquisição pela Nippon Steel. A nova controladora está mudando essa situação com a implementação de métodos de processamento sem desperdício. Mesmo pequenas melhorias como essas podem aumentar as margens de lucro em vários pontos percentuais, se forem somadas. A empresa tem poucas outras opções. Os efeitos de investimentos em larga escala não são esperados por anos. Mas a U.S. Steel projeta voltar a dar lucro no ano fiscal 2026, que termina em 31 de março de 2027, com um lucro operacional subjacente esperado de 100 bilhões de ienes. Desse total, 40 bilhões de ienes virão das melhorias de custos da Nippon Steel, como as implementadas na fábrica de Fairfield. "Os 40 bilhões de ienes são apenas para melhorias concretas", afirmou o diretor financeiro Takahiko Iwai. "Temos outras iniciativas planejadas. Queremos almejar algo um pouco maior." Se os investimentos de US$ 11 bilhões na U.S. Steel forem adiante, mesmo que os lucros aumentem, provavelmente serão consumidos pelos juros, criando em breve um ciclo vicioso. "Se a U.S. Steel começar a gerar lucros sólidos, o preço das ações da Nippon Steel poderá se recuperar", disse Yuji Matsumoto, analista de pesquisa da Nomura Securities.
Ações da Nippon Steel despencam sob o peso de dívida assumida na compra da U.S. Steel
Ações da Nippon Steel despencam sob o peso de dívida assumida na compra da U.S. Steel







