Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que ainda é imprevisível a lista final de produtos que serão alvo de sanções 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Lula em encontro no ano passado: decisão definitiva sobre tarifaço deve sair hoje — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 20:48 EUA avaliam tarifa de 25% em produtos brasileiros; negociação em curso O governo Trump está prestes a decidir sobre a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, destacando práticas como o Pix e o desmatamento ilegal que prejudicam o comércio americano. A recomendação do USTR pode impactar 21% das exportações brasileiras, principalmente em máquinas e plásticos. O Brasil busca negociação política para evitar o tarifaço, e a decisão final influenciará a resposta de Lula. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos devem decidir nesta quarta-feira sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país. O novo tarifaço é uma recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela política comercial do país, após concluir, em uma investigação, que o Brasil adota práticas que prejudicam o comércio americano, como o Pix, o desmatamento ilegal e o acesso dos EUA ao mercado de etanol brasileiro. A recomendação excluiu vários dos produtos que o Brasil mais exporta para os EUA, como petróleo, carne bovina, aviões, celulose e café. Pelos cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a sugestão atingiria 21% da pauta exportadora e prejudicaria de maneira mais significativa os setores de máquinas, equipamentos, produtos de plástico, de madeira, esquadrilhas, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Integrantes do Palácio do Planalto, porém, afirmam que ainda não se pode prever a lista final de produtos que sofrerá sanções. Após a recomendação do USTR, empresas, associações e representantes da sociedade civil tiveram a oportunidade de contestar a medida tanto por escrito quanto em uma audiência pública, da qual participou também o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Lula tem pedido que as negociações com os EUA sejam mantidas até o último dia. Desde a reunião do petista com Donald Trump na Casa Branca em maio, quando se tratou do tarifaço, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes Jamieson Greer, chefe do USTR. O governo trabalha com duas hipóteses sobre como a gestão de Donald Trump conduzirá o tema. A hipótese considerada provável é que os Estados Unidos decidam pelo tarifaço de 25% sobre parte das importações do Brasil destinadas ao país. A segunda hipótese avaliada é que os EUA mudem de ideia, influenciados pela ala ideológica do Departamento de Estado americano, e adiem a punição econômica sob o argumento usado por Flávio Bolsonaro na audiência do USTR, de que o tarifaço beneficiaria a candidatura Lula. Será apenas a partir da decisão do governo americano nesta quarta-feira que auxiliares de Lula irão calibrar uma resposta e passar a discutir a reação. A possibilidade de reciprocidade no tarifaço ainda não é discutida no detalhe, já que se considera fundamental aguardar a decisão dos EUA e ver item a item taxado para, então, medir e planejar a reação do governo brasileiro. Além da decisão sobre a tarifa de 25%, o governo Trump também deve definir nos próximos dias sobre a aplicação de uma taxa adicional de 12,5% devido a uma outra investigação, que apurou falhas em barrar a entrada no Brasil de produtos fabricados com trabalho forçado. Nesse caso, porém, a sanção sugerida também se aplica a outros 59 países. Assim, caso a Casa Branca decida adotar as duas taxas, parte das mercadorias brasileiras vendidas aos EUA ficarão sujeitas a um tarifaço de 37,5%. De acordo com a análise inicial da Buysidebrazil, a taxação de 25% provavelmente será mais restrita do que a de 12,5%. Investigação Nas 107 páginas do relatório final da investigação comercial contra o Brasil, o USTR traça um panorama das políticas brasileiras acusadas de promover concorrência desleal para as empresas americanas. A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por orientação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, e ficou aberta por quase 11 meses. Nesse período, foram recebidos mais de 295 comentários de pessoas e empresas interessadas. Houve ainda uma audiência pública em setembro do ano passado, e os representantes brasileiros foram ouvidos em abril deste ano. O processo abordou possíveis práticas desleais em seis tópicos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, nas quais se inserem as críticas ao Pix e decisões que atingem big techs; tarifas preferenciais consideradas injustas pelos EUA; aplicação de leis anticorrupção; proteção de propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. No documento, o Pix é citado 20 vezes. O meio de pagamento é apontado como um “campeão nacional” brasileiro que é favorecido pelo Banco Central, seu operador e regulador do sistema financeiro, o que supostamente prejudicaria empresas de pagamento americanas.