Em 2022, o Brasil parecia estar a caminho da autossuficiência em trigo, cereal do qual o país sempre foi dependente externamente, principalmente da Argentina. Nos últimos quatro anos, esse cenário de equilíbrio de produção ficou cada vez mais distante, e o país deverá semear a menor área em nove anos em 2026.
Conforme dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) nesta terça-feira (14), a área dedicada ao cereal recua para 2 milhões de hectares, 17% a menos do que na safra anterior.
Paraná e Rio Grande do Sul são os principais produtores nacionais, e em ambos haverá queda na área de plantio. Os gaúchos, líderes na produção, vão destinar 879 mil hectares ao cereal, 24% a menos do que na safra anterior, e o Paraná, 722 mil hectares, 12% a menos.
A redução nacional de área fará com que a produção brasileira recue para 6 milhões de toneladas, uma queda de 24% e o menor volume desde 2019. Em 2022, o país chegou a produzir 10,6 milhões de toneladas, volume próximo ao do consumo nacional.
Na década de 1980, o Brasil chegou a ter o dobro de área semeada, em relação ao que está sendo plantado neste ano, mas o produtor, aos poucos, foi trocando essa cultura por milho. Motivos não faltaram, e vão desde a baixa rentabilidade da cultura à política dos moinhos de forçar a queda do preço do produto nacional em determinados períodos do ano, segundo os produtores.








