As operações Escudo e Verão, que ocorreram no litoral paulista entre 2023 e 2024, foram as mais letais da história da Polícia Militar de São Paulo depois do massacre do Carandiru em 1992, quando 111 pessoas foram mortas. Mas a responsabilização dos agentes parece aquém do alto nível de letalidade.
Segundo levantamento realizado pela Folha, das 84 mortes causadas por policiais nas duas ações, só 9,5% resultaram em denúncias do Ministério Público.
Trata-se de padrão recorrente no país. Estudo da ONG Fórum Justiça do ano passado mostrou que apenas 9% dos casos de mortes provocadas pelas forças de segurança, entre 2011 e 2023 em São Paulo, foram denunciados pelo Ministério Público; no Rio de Janeiro, a taxa no mesmo período foi ainda menor (3,7%).
Ademais, 8 dos 16 policiais denunciados por ocorrências nas operações Escudo e Verão foram absolvidos sumariamente pela Justiça —quando o juiz encerra o processo antes de submetê-lo ao tribunal do júri por entender que já está claramente demonstrada alguma hipótese legal, como o réu não ter sido o autor ou a conduta não constituir crime.
Na absolvição mais recente, referente à morte do roupeiro Allan de Moraes Santos, desembargadores afirmaram que não havia indício de ação deliberada dos réus, de intenção homicida nem de alteração da cena.







