É punk demais para os metaleiros e eletrônico demais para os punks. Mas também é brasileiro e latino, quente e suingado para o universo da música eletrônica. O choque entre estéticas que ora se digladiam, ora se complementam é uma chave para entender o som da dupla Deafkids, um dos principais nomes do cenário independente do Brasil, que lança agora seu quarto disco de estúdio, "Cicatrizes do Futuro".
A banda cria uma música "rítmica, febril e corporal", diz Douglas Leal, um dos multi-instrumentistas do grupo, responsável por vocais, guitarra, baixo, percussão, flauta e programação eletrônica. Para Marian Sarine, a outra metade da banda, que toca baixo, bateria e percussão, o Deafkids faz um som "que tem pulsão de vida, a música de um frenesi, do corpo para a mente, e não da mente para o corpo".
Em seus 39 minutos, "Cicatrizes do Futuro" traz percussões hipnóticas combinadas a batidas eletrônicas industriais. Há também vocais indecifráveis, repetidos como mantras, e guitarras rasgadas que invadem as músicas em ondas, entre idas e vindas. O resultado é um amálgama sonoro sem paralelo.
A sonoridade original foi uma das razões pelas quais o Deafkids assinou, há quase dez anos, com o influente selo americano Neurot, que olha para a vanguarda da música pesada e pelo qual sai o novo álbum da banda. O disco será apresentado em show de lançamento nesta sexta-feira (17), no Sesc Pompeia, em São Paulo, antes de a dupla partir para uma turnê pela Europa e, em seguida, por países da Ásia.









