Um dos melhores discos deste ano é instrumental. O feito é do pianista pernambucano Vitor Araújo com seu terceiro trabalho solo, Toró, gravado ao vivo em Amsterdã ao lado da Metropole Orkest.

O peso do trabalho não vem apenas de contar com uma das orquestras de vanguarda pop mais destacadas da Europa: Vitor também agregou ao projeto Charles Tixier (bateria, synth, MPC, samples), Felipe Pacheco Ventura (guitarra) e os percussionistas Mauro Refosco, Aduni e Amendoim, que deram à instrumentação a força necessária para o álbum ganhar uma textura diferente, rica, contemporânea e de raízes brasileiras.

Vitor Araújo afirmou, em entrevista a CartaCapital, que uma de suas ideias para conferir uma sonoridade marcante ao trabalho passou por descolar o virtuosismo de uma orquestra, em geral concentrado no solista e nos violinos, rumo às percussões – principalmente de toque nordestino, refletindo a sua origem recifense. É, de fato, um dos principais motivos da originalidade do disco.

O grupo de composições se dividiu em duas suítes: a dos Toques e a dos Cantos . “Todas as músicas foram compostas por mim, já pensando nessa instrumentação.”

Em 31 de julho, 1º e 2 de agosto no Sesc Pinheiros, em São Paulo, o artista apresentará Toró com a Orquestra de Câmara da USP, regida pelo maestro Ricardo Bologna. O concerto une o peso orquestral à força da percussividade nordestina.