O gol tido como o mais bonito da carreira de Pelé (1940-2022) tinha sobrevivido apenas na memória e em relatos de quem o testemunhou, porque aconteceu em 1959, numa partida entre o Santos e o Juventus —alguns anos antes da chegada do videotape ao futebol.

Agora, o lendário gol do estádio Conde Rodolfo Crespi, na rua Javari, na Mooca, zona leste de São Paulo, ganha uma versão em vídeo. Mas em vez de uma filmagem real, que não existia à época, a jogada surge recriada por inteligência artificial, no documentário "The Most Beautiful Goal Never Seen" (O Gol Mais Bonito Que Nunca Foi Visto).

Lançado mundialmente na manhã desta terça-feira (14), o filme é uma parceria entre o Google DeepMind, laboratório de pesquisa em IA da empresa de tecnologia, e a marca Pelé, administrada pela NR Sports. A recriação do gol foi feita com os modelos Gemini Omni, Veo 3 e Nano Banana.

O projeto foi gestado dentro do time que pesquisa aplicações de IA ao universo da mídia e entretenimento dentro do Google Deepmind, o mesmo que no ano passado já tinha realizado um projeto com a produtora Primordial Soup, do cineasta Darren Aronofsky, gerando o filme "Ancestra".

"Dois anos atrás, esse filme do Pelé não seria possível, porque o modelo [de IA de vídeo] não era bom o suficiente ainda. Não seria possível [recriar] o Pelé e dizermos: ‘Ah, esse é o Pelé mesmo’. Mas no vídeo agora, até a filha dele reconhece o pai", diz a brasileira Márcia Mayer, head de produção do Google Deepmind, que antes trabalhou na Pixar.