Controle da geografia dá vantagem aos iranianos nas ameaças de cobrança pelo tráfego marítimo, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navio transita pelo Estreito de Ormuz — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 08:58 Irã Ganha Vantagem no Estreito de Ormuz em Disputa Marítima O controle geográfico do Estreito de Ormuz confere vantagem ao Irã no cenário de cobranças por tráfego marítimo, segundo análise de Guga Chacra. Enquanto Trump propõe uma taxa de 20% para segurança, o Irã ameaça com extorsão, exigindo que navios usem rotas próximas à sua costa. A situação favorece os iranianos, que não necessitam de 100% de sucesso, ao contrário dos EUA, que enfrentam desafios logísticos e geográficos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Donald Trump anunciou que os Estados Unidos pretendem cobrar uma taxa de 20% das embarcações para garantir a segurança no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Não está claro como seria feita a cobrança, nem como funcionaria a logística de segurança, já que o país não controla a passagem que liga o Golfo Pérsico e o Oceano Índico — uma margem do estreito se localiza no Irã e a outra, em Omã. Cobrança ilegal – A imposição de uma taxa, ou pedágio, seria ilegal, seja pelos EUA, seja pelo Irã. As embarcações civis têm o direito de livre tráfego por estreitos ao redor do mundo — a Turquia não pode cobrar pedágio no Estreito de Bósforo, assim como a Espanha e o Marrocos não podem cobrar em Gibraltar. Estreitos são diferentes dos canais, que são construídos e atravessam territórios soberanos, como o Canal de Suez, no Egito, e o Canal do Panamá. Cobrança iraniana – O Irã já ameaçou cobrar pedágio em Ormuz por meio de extorsão: quem não pagar pode ser alvejado. Atualmente, o país tem atacado alguns navios que tentam navegar por uma rota próxima a Omã sem coordenação com o regime iraniano. Teerã exige que seja usada uma rota próxima à sua costa e que toda travessia seja acertada com uma entidade recém-criada para cuidar do tráfego em Ormuz. Cobrança norte-americana – Os EUA pretendem impor seu controle por meio da garantia de defesa. Isto é, quem pagar uma taxa, recebe a garantia de que será protegido pelas forças militares norte-americanas de eventuais ataques do Irã. Caso opte por não pagar, a embarcação ficaria sob o risco de ser atingida. Sucesso e fracasso – Basicamente, o Irã impõe seu controle pela ameaça de ataque e os EUA, pela promessa de defesa. Os iranianos, portanto, não precisam ter 100% de sucesso na sua estratégia. Se atingirem de 5% a 10% dos navios que tentam atravessar, já conseguem impedir o tráfego na prática. Neste caso, as embarcações se sentiriam mais seguras pagando uma taxa aos iranianos. Já os EUA precisam de 100% de sucesso: têm de impedir que todas as embarcações sob sua proteção cruzem o estreito intactas. Obviamente, a situação é mais favorável aos iranianos. Geografia – Outro agravante para os EUA é a dificuldade de garantir a defesa sem controlar a geografia do estreito. O regime iraniano domina a margem de Ormuz e é capaz de atingir navios independentemente dos esforços norte-americanos para protegê-los. A geografia sempre vence, como escrevi aqui uma série de vezes. Como os EUA poderiam mudar esta equação? Controlando a geografia Enormes riscos – Para controlar a geografia, os EUA precisariam realizar uma ampla operação militar terrestre, com um efetivo de milhares ou dezenas de milhares de pessoas tentando ocupar a costa iraniana em Ormuz. O risco de um fracasso seria enorme diante do que aconteceu no Iraque e no Afeganistão. Além disso, uma ofensiva do tipo seria extremamente impopular nos EUA e provocaria uma escalada do preço do petróleo. Status quo anterior – Sempre é bom lembrar que o estreito estava aberto, sem cobrança de pedágio, até o fim de fevereiro. A decisão iraniana de fechar Ormuz ocorreu em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, que inclusive mataram o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Não fosse a ofensiva, a passagem do Golfo Pérsico para o Oceano Índico seguiria livre normalmente.