Após a Arquidiocese de Brasília confirmar a esconjuração, o sacerdote declarou que seguirá celebrando missas normalmente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em vídeo intitulado 'Resposta aos inimigos', o padre Françoá Costa afirmou que continuará celebrando missas após ter sido excomungado — Foto: Reprodução/Youtube RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 09:24 Padre é excomungado em Brasília por aderir a fraternidade cismática O padre Françoá Costa foi excomungado pela Arquidiocese de Brasília após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Ele contesta a decisão e afirma que continuará celebrando missas, considerando a punição "nula". A Fraternidade, de orientação ultraconservadora, entrou em cisma com a Igreja Católica por rejeitar reformas do Concílio Vaticano II. A arquidiocese alerta os fiéis sobre o risco de excomunhão ao seguir o grupo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Arquidiocese de Brasília confirmou, em nota publicada na segunda-feira (13), a excomunhão do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e declarou que a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), está em situação irregular perante a Igreja Católica. A decisão ocorre após o sacerdote aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo de orientação ultraconservadora que entrou em cisma com a Igreja. Em vídeo intitulado “Resposta aos inimigos”, divulgado após a decisão, o padre afirma que continuará celebrando missas. A excomunhão já havia sido noticiada pelo Vaticano em 2 de julho. Na ocasião, a sede do catolismo determinou que os bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X - assim como todos os padres e fiéis que aderirem formalmente ao grupo - passavam a ser considerados cismáticos. O cisma é caracterizado pela ruptura da unidade da Igreja, com a recusa em reconhecer a autoridade do papa e em permanecer em comunhão com os demais membros da Igreja Católica. Na nota pastoral, assinada pelo cardeal arcebispo metropolitano de Brasília, Paulo Cezar Costa, a Arquidiocese afirma que Françoá Costa se considera membro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X desde 5 de abril de 2025 e, por isso, encontra-se em situação de cisma e excomunhão, assim como os demais ministros da fraternidade. A Fraternidade é conhecida pela defesa do retorno das missas em latim e por preservar características tradicionais da liturgia católica, como o sacerdote voltado para o altar durante boa parte da missa. Atos ilícitos Segundo o documento publicado pela Arquidiocese, os atos ministeriais praticados pelo padre são considerados ilícitos pela Igreja Católica. No caso dos sacramentos da Penitência e do Matrimônio, a absolvição concedida por ele e os casamentos celebrados sob sua assistência são considerados nulos e inválidos. A arquidiocese também afirma que os fiéis leigos que aderirem formalmente à fraternidade, compartilhando das razões da ruptura e rejeitando a submissão ao papa e aos bispos em comunhão com ele, também são considerados cismáticos e excomungados. Por esse motivo, as celebrações, atividades pastorais, iniciativas de formação e demais atos promovidos pela Capela Santo Atanásio são classificados como irregulares, por não ocorrerem em comunhão com o Romano Pontífice nem com o arcebispo metropolitano de Brasília. 'Resposta aos inimigos' Em vídeo intitulado “Resposta aos inimigos”, publicado após a divulgação da nota da Arquidiocese de Brasília, o padre Françoá Costa afirma que continuará celebrando missas e diz que mantém adesão às posições da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Na gravação, ele contesta a classificação de cisma atribuída pelo Vaticano e pela arquidiocese. Segundo o sacerdote, a fraternidade reconhece a autoridade do papa Leão XIV, reza pelo pontífice nas missas e, por isso, não estaria rompendo a comunhão com a Igreja. Ele afirma ainda que a excomunhão decorre de sua adesão às sagrações episcopais promovidas pela fraternidade e de sua rejeição ao Concílio Vaticano II. O padre também defende a validade e a licitude das confissões e dos casamentos celebrados por sacerdotes ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, contrariando o entendimento da Arquidiocese de Brasília. Ao longo do vídeo, ele critica a missa celebrada segundo a reforma litúrgica pós-Concílio Vaticano II, afirma que ela é válida, mas “ilícita”, e faz críticas a padres e autoridades da Igreja que defenderam a decisão do Vaticano. Ao final, Françoá Costa afirma que seguirá celebrando missas na Capela Santo Atanásio e menciona o papa e o arcebispo de Brasília nas orações litúrgicas. Ele também critica mudanças promovidas pela Igreja Católica nas últimas décadas, incluindo decisões relacionadas ao Concílio Vaticano II e a temas pastorais recentes. O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e se opõem a parte das reformas promovidas pela Igreja Católica a partir da década de 1960. Entre as principais bandeiras do grupo estão a celebração da missa segundo o rito tridentino, em latim, com o sacerdote voltado para o altar, além de críticas a mudanças litúrgicas e pastorais introduzidas após o Concílio Vaticano II. Realizado entre 1962 e 1965, o Concílio Vaticano II promoveu uma das maiores reformas da Igreja Católica. As missas passaram a poder ser celebradas nas línguas locais, o sacerdote passou a celebrar voltado para os fiéis e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões e com o mundo contemporâneo. A Fraternidade São Pio X considera que parte dessas mudanças representa um afastamento da tradição católica e defende uma interpretação mais rigorosa da doutrina e da liturgia. O conflito entre o grupo e o Vaticano se intensificou em 1988, quando Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do Papa João Paulo II. Na ocasião, ele e os bispos ordenados foram excomungados por desafiar a autoridade da Santa Sé. Em 2009, o papa Bento XVI retirou a excomunhão dos quatro bispos em uma tentativa de promover a reconciliação. Apesar disso, a Fraternidade permaneceu em situação canônica irregular, e as divergências doutrinárias e disciplinares nunca foram plenamente resolvidas. Agora, com a ordenação de quatro novos bispos sem autorização da Santa Sé, o Vaticano voltou a considerar que os envolvidos incorreram em excomunhão e classificou a adesão formal à fraternidade como um ato de cisma, reacendendo um conflito que atravessa mais de cinco décadas. O que recomenda a Arquidiocese de Brasília A nota orienta que os fiéis evitem participar dessas atividades devido ao “grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão”. A arquidiocese também aconselha os católicos a permanecerem em comunhão com o papa, o Colégio Episcopal e o arcebispo metropolitano de Brasília, destacando que a unidade da Igreja se manifesta pela profissão da mesma fé, pela celebração dos mesmos sacramentos e pela submissão aos seus legítimos pastores. Além disso, recomenda que os fiéis permaneçam fiéis ao magistério da Igreja e evitem ambientes que incentivem, de forma explícita ou implícita, a ruptura da comunhão eclesial sob o argumento de uma suposta “fidelidade mais perfeita à Igreja”.
Excomungado da Igreja Católica, padre Françoá Costa publica 'resposta aos inimigos' e diz que punição do Vaticano é 'nula'
Após a Arquidiocese de Brasília confirmar a esconjuração, o sacerdote declarou que seguirá celebrando missas normalmente











