Padre Françoá Costa se posicionou contrário ao Concílio do Vaticano II e mudanças promovidas nos anos 60 que autorizaram missas em línguas locais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Padre excomungado contesta decisão de Arquidiocese e nega estar em cisma com a Igreja — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 18:58 Padre contesta excomunhão por aderir à Fraternidade São Pio X Padre Françoá Costa, excomungado pela Arquidiocese de Brasília por aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, contesta a decisão em vídeo, alegando que não está em cisma com a Igreja. Ele critica a validade jurídica da excomunhão, as reformas do Concílio Vaticano II e afirma que a excomunhão é injusta. A Fraternidade defende liturgia pré-reformas dos anos 60. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Excomungado pela Arquidiocese de Brasília, o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, publicou um vídeo nesta quinta-feira no qual nega estar em cisma com a Igreja Católica e contesta a validade jurídica dentro do Direito Canônico da decisão. A excomunhão do sacerdote foi confirmada pela Arquidiocese de Brasília na última sexta-feira. O motivo foi a adesão do padre à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo ultratradicional que defende parte das celebrações em latim e toda a liturgia anterior a uma série de reformas promovidas pelas Igreja nos anos 60 por meio do Concílio do Vaticano II. — Não estou excomungado, não sou cismático, nada faço em nome da desobediência — disse o padre Françoá Costa, na gravação, publicada pelo perfil da Capela Santo Atanásio — Pelo que me consta, é a primeira vez que Dom Paulo César expulsa um sacerdote por ser católico. Exatamente. Porque normalmente o cardeal tem que expulsar sacerdotes por casos complicados, escândalos, normalmente contra a moral. O padre argumenta ainda que a excomunhão não tem validade por estar em desacordo com normas do Direito Canônico e cita o teólogo São Tomás de Aquino ao afirmar que uma excomunhão injusta não teria efeito "diante de Deus". No trecho seguinte, Françoá afirma não praticar "papolatria". — O nosso Papa é Leão XIV (...) Mas mesmo sendo católicos, nós não somos hiperpapalistas, não praticamos a papolatria. De fato, até o Papa está submetido à palavra de Deus — diz o sacerdote, que também fez críticas às reformas promovidas pela Igreja nos anos 60 — O Concílio Vaticano II, essa terceira guerra mundial, dito de maneira espiritual, realmente entrou para destruir as grandes verdades da nossa fé e os costumes católicos que nós sempre guardamos. Costa atua em Brasília como capelão da Capela Santo Atanásio, vinculada à Fraternidade. Formado em Filosofia em 2001 e licenciado na área em 2020, o padre Françoá Costa também concluiu doutorado em Teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, em 2011, além de ter obtido licenciatura em Estudos Eclesiásticos em 2004. Ele também foi professor da Faculdade Católica de Anápolis. Costa foi ordenado sacerdote católico em 8 de dezembro de 2004, em Anápolis, na região central de Goiás. Ele trabalhou em paróquias da Diocese de Anápolis, da Arquidiocese de Brasília, da Diocese de Itumbiara e também fora do Brasil. Em 2017, realizou um curso de atualização para sacerdotes no Instituto Internacional de Ciências Sociais. Em 2011, fez especialização de atualização para sacerdotes no mesmo instituto. Também é autor dos livros "Jesus Cristo, o único salvador" e "A igreja de Jesus Cristo — Eclesiologia hoje". Fraternidade Sacerdotal São Pio X Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e se opõem a parte das reformas promovidas pela Igreja Católica a partir da década de 1960. Entre as principais bandeiras do grupo estão a celebração da missa segundo o rito tridentino, em latim, com o sacerdote voltado para o altar, além de críticas às mudanças litúrgicas e pastorais introduzidas após o Concílio Vaticano II. Realizado entre 1962 e 1965, o Concílio Vaticano II promoveu uma das maiores reformas da Igreja Católica. As missas passaram a poder ser celebradas nas línguas locais, o sacerdote passou a celebrar voltado para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões e com o mundo contemporâneo.