No Estado de São Paulo, estatísticas oficiais indicam uma queda expressiva no número de homicídios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o número de vítimas caiu de cerca de 6 mil por ano no início da década de 2010 para aproximadamente 2,6 mil em 2024. Esses dados vêm sendo apresentados e comemorados pelas autoridades como evidência de que a violência diminuiu no estado. A experiência da população, no entanto, sinaliza um descompasso em relação a essa tendência e convida a examinar mais de perto como essas mortes vêm sendo registradas e classificadas.
Foi a partir dessa percepção que analisamos os registros de mortes por causas externas (provocadas por violência ou por acidentes, e não por doenças) do estado de São Paulo na base de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS, referentes ao período de 2010 a 2024. O SIM foi criado pelo Ministério da Saúde em 1975 e é a base oficial que registra cada morte no Brasil, sua causa e as circunstâncias em que ocorreu. Os dados são públicos.Esse conjunto de dados mostra claramente que houve um crescimento expressivo das mortes registradas como "intenção indeterminada" no mesmo período em que os homicídios oficiais em São Paulo recuaram. Isso levanta uma questão: a redução observada nos homicídios em São Paulo poderia ser consequência de mudanças na forma de classificar as mortes violentas em vez de refletir uma diminuição real?







