PUBLICIDADE Quando esperava a análise de seu primeiro pedido de entrega antecipada à Federação russa, Sergey Cherkasov fez um relato sobre sua custódia na Penitenciária Federal em Brasília, onde segue preso até hoje 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O suposto espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022 — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 22:29 Espião russo detido no Brasil reclama de condições na prisão federal Sergey Cherkasov, espião russo detido no Brasil, reclama das condições na Penitenciária Federal em Brasília enquanto aguarda extradição. Ele relata pedidos de favores de membros do PCC, greve de fome por documentos, falta de contato com a mãe e sentimento de injustiça por estar em presídio de segurança máxima. A defesa busca extradição antecipada, após decisão do governo de expulsá-lo do país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pedidos de favores de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), "greve de fome" para reaver requerimentos, falta de contato com a mãe e sentimento de "injustiça": essas são algumas das reclamações feitas pelo russo Sergey Cherkasov, apontado como espião pela Polícia Federal e pelo FBI, durante sua custódia na Penitenciária Federal em Brasília. Condenado a 15 anos de prisão por uso de documento falso, Sergey pede, desde o final de 2023, uma extradição "antecipada" para seu país natal — solicitação esta que agora pode ser turbinada com a decisão do governo de expulsá-lo do Brasil. O espião fez as reclamações à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão em fevereiro de 2024, meses antes de o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, negar o pedido para entregar Cherkasov à Federação russa antes do cumprimento total de sua pena no Brasil. Segundo o ministro, caberia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir sobre a "liberação antecipada" do espião. A entrevista de procuradores com Cherkasov durou quase três horas e ocorreu um ano e três meses após a transferência do russo de São Paulo para Brasília. Durante o encontro, o espião revelou, por exemplo, por que pediu para ficar em isolamento na Penitenciária: o fato de alguns presos integrantes do PCC começarem a lhe pedir favores. Segundo o relato, tais solicitações ocorreram após circular, na penitenciária, uma reportagem sobre as acusações a que ele responde — no caso, de espionagem. Ainda de acordo com o russo, no dia seguinte, houve um "grave ataque", durante banho de sol coletivo, a "um preso amigo". Outras reclamações do russo incluíram supostas batidas em sua cela, com retiradas de revistas, "palavras-cruzadas" e a suposta retenção de cartas a ele endereçadas. O espião chegou dizer que ficou sem requerimentos — documentos em que pode fazer solicitações à administração penitenciária. Narrou ainda ter feito uma "greve de fome" para voltar a ter acesso aos papéis. Na entrevista, Cherkasov descreveu sua rotina na penitenciária: fazer exercícios, ler livros e fazer "palavras-cruzadas" em russo. Disse que não pediu o abatimento da pena em razão das leituras, já que o sistema penal russo não abre essa possibilidade. Ainda narrou que recebia visitas presenciais apenas de representantes do Consulado da Rússia e que teve, até aquele momento, cinco encontros virtuais de 30 minutos com um amigo. Outras críticas do russo foram direcionadas à comida da prisão e o kit de higiene que recebia, sustentando que seu vizinho de cela tinha "fio dental e um sabonete melhor do que o dele". Católico ortodoxo, pediu acesso a uma bíblia de sua religião. Ainda disse que se sentia "injustiçado" porque foi condenado por um crime de baixa gravidade e está preso em um presídio de segurança máxima. Outra reclamação feita por Cherkasov na ocasião foi a de que, até então, não havia tido contato com sua mãe, que mora na Rússia. Disse ainda que não conseguia encaminhar cartas para seus familiares, já que elas teriam de ser escritas em português e o destinatário deveria estar no Brasil. Tal situação ainda se mantém, segundo fontes que acompanham a execução penal. Após a visita, representantes do Ministério Público Federal pediram esclarecimentos sobre o relato do russo. Indicaram que a própria gestão do presídio entendia que o espião era um "preso tímido e introspectivo, que tem dificuldade de externar suas próprias demandas e necessidades". Chegaram a pedir que o preso tivesse acesso ao fio dental e ao sabonete glicerinado, além de um remédio para o nariz. Em agosto de 2024, Fachin pediu à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal que explicasse alguns dos pontos levantados pelo preso. Além disso, a defesa fez uma série de requerimentos à Justiça do DF sobre os relatos do russo. A resposta veio há cerca de um ano, em junho do ano passado. A direção da penitenciária federal em Brasília destacou que a cela onde o russo está, em isolamento, é maior que outras do mesmo complexo. Indicou ainda que ele tem acesso a um solário e negou arbitrariedades nas revistas na cela, com a retenção e papeis, alegando que elas ocorrem conforme o manual de procedimentos do sistema. A administração ainda rebateu o relato sobre suposta briga no pátio de sol da prisão. Sobre a possibilidade da visita virtual internacional da mãe do russo, o argumento apresentado pela administração do presídio foi a de que seria necessário realizar uma série de trâmites para tanto, inclusive a formalização de um termo de cooperação com o Consulado brasileiro na Rússia. Ainda indicou que seria essencial criar um cadastro de tradutores para traduzir cartas e monitorar atendimentos. As informações sobre as medidas tomadas após o relatório de Cherkasov são o último movimento do processo de extradição do russo, no ano passado, antes de a Justiça do DF determinar o cumprimento da extradição do espião. A decisão foi motivada por uma consulta do Coordenador de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas expedida após o Ministério Público Federal dar aval para a liberação antecipada de Cherkasov, com a efetivação de sua entrega na Rússia. O despacho foi assinado em dezembro passado. No mês passado, a defesa voltou a acionar o STF, pedindo a extradição antecipada do espião. A decisão de expulsão, expedida pelo Ministério da Justiça, pode ser usada para turbinar uma solicitação pendente de apreciação na Corte. Tal pedido cita até a possibilidade de extradição de quatro brasileiros como consequência do retorno de Cherkasov à Rússia.