PUBLICIDADE A medida foi publicada no Diário Oficial da União e prevê ainda o impedimento de reingresso de Sergey ao Brasil por 30 anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O suposto espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022 — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 08:44 Brasil expulsa suposto espião russo Sergey Cherkasov por 30 anos após investigações de espionagem O governo brasileiro decidiu expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, suposto espião russo, após cumprimento de pena, proibindo seu retorno por 30 anos. Publicada no Diário Oficial, a decisão surge em meio a investigações de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção. Anteriormente, o STF rejeitou a entrega antecipada de Cherkasov à Rússia, onde ele é acusado de tráfico. O caso gera tensão diplomática com EUA e Rússia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo federal decidiu expulsar do Brasil o cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como agente da inteligência militar da Rússia, após o cumprimento da pena a que está submetido no país ou eventual liberação pelo Poder Judiciário. A medida foi publicada no Diário Oficial da União da última segunda-feira e prevê ainda o impedimento de reingresso de Cherkasov em território brasileiro pelo prazo de 30 anos, contados a partir da execução da expulsão. Em dezembro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin rejeitou a entrega "antecipada" do espião russo Sergey Cherkasov ao seu país de origem, argumentando que ele ainda responde a inquéritos no Brasil por "possíveis atos de espionagem, lavagem de capitais e corrupção passiva". Na época, Fachin afirmou que não caberia ao Supremo decidir sobre a "liberação antecipada" do russo e que isso seria de competência do presidente da República. "Observo, nessa perspectiva, a diretriz assentada desta Suprema Corte segundo a qual é prerrogativa exclusiva do Presidente da República a competência para liberação antecipada do extraditando", escreveu o atual presidente do STF. Em junho de 2022, Cherkasov foi condenado pela Justiça brasileira a 15 anos de prisão por uso de documentos falsos em várias ocasiões. No mês seguinte, a embaixada russa protocolou no Itamaraty um pedido de extradição do suposto agente. A solicitação foi dirigida ao então ministro da Justiça, Anderson Torres, que encaminhou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os documentos apresentados pelo procurador-geral adjunto da Rússia, Cherkasov não era um espião, mas sim um traficante ligado a um grupo criminoso, liderado por um tadjique, que fornecia heroína de Moscou para Lipetsk. Essa acusação, porém, só foi oficializada pelas autoridades russas no dia 22 de junho de 2022 em um processo iniciado em 2013 e que já fora encerrado em 2017. A denúncia diz que os crimes praticados por Cherkasov ocorreram entre junho de 2011 e agosto de 2013. Nesse período, no entanto, ele estava no Rio de Janeiro, trabalhando numa agência de turismo e câmbio, segundo o próprio currículo do suposto agente infiltrado. Além disso, Cherkasov disse em depoimento ao FBI que visitou a Rússia na Copa de 2018, ocasião em que poderia ter sido detido. Há também registros de uma viagem em setembro de 2021 para Kaliningrado, sua verdadeira terra natal, para exames médicos. Diante do impasse da prisão, representantes da Embaixada da Rússia chegaram a procurar o Itamaraty para tratar da extradição de Cherkasov. O Ministério das Relações Exteriores confirmou ao GLOBO que houve um “contato exploratório” por parte da diplomacia do Kremlin, mas a resposta da Chancelaria brasileira, segundo a pasta, foi que nada poderia ser feito pelo governo brasileiro, porque o assunto já estava sob a alçada do STF. Após a investida russa no STF e no Itamaraty, Cherkasov ficou esperançoso de que conseguiria voltar ao seu país de origem. Em agosto de 2022, ele escreveu da prisão uma carta à namorada. “Então, estamos otimistas sobre setembro. Dedos cruzados. Mas eu realmente sinto que o fim está próximo. Sonho muito com o nosso Ano Novo — você e eu em São Petersburgo caminhando na neve para o Palácio de Inverno. Tudo ficará bem”, afirmou, assinando a carta como “prisioneiro de guerra”. O otimismo de Cherkasov, porém, mostrou-se frustrado. O ministro Edson Fachin, relator do processo no STF, concordou com o pedido de extradição do russo, mas condicionou o andamento do processo ao término da segundo investigação conduzida pela PF, que apura suspeita de espionagem, corrupção e lavagem de dinheiro. Enquanto o inquérito segue em andamento no Brasil, na semana passada, o FBI acusou o russo de ter cometido ao menos sete crimes, de fraude bancária à atuação como agente infiltrado do governo Putin. “Cherkasov estava nos EUA entre 2017 e 2020, enquanto trabalhava sob direção e controle da Rússia. Como parte dessa missão, Cherkasov usou pseudônimo de Ferreira para se matricular na Universidade Johns Hopkins e coletou informação e inteligência sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte, cidadãos americanos e política externa dos EUA. A informação e inteligência que ele coletou foi para o benefício direto da Rússia e contrária ao interesse dos EUA”, apontou a polícia federal americana. Essa acusação dos EUA pôs o Brasil numa encruzilhada diplomática. Ao longo de 2022, a prisão de Cherkasov foi tratada pelo governo Bolsonaro e pela PF com discrição máxima para evitar qualquer conflito com a Rússia, considerada uma fornecedora estratégica de fertilizantes para o setor agrícola. Agora, se o processo de extradição for adiante, caberá ao presidente Lula decidir sobre o futuro do suposto espião e se desagradará ao Kremlin ou à Casa Branca.
Governo decide expulsar espião russo do país após término de pena
A medida foi publicada no Diário Oficial da União e prevê ainda o impedimento de reingresso de Sergey ao Brasil por 30 anos











