A decisão do governo brasileiro de expulsar o cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado por investigações da Polícia Federal e do FBI como um agente da inteligência militar da Rússia, provocou uma reação imediata dos Estados Unidos e recolocou o Brasil no centro de uma disputa envolvendo espionagem, extradição e segurança.

Na quarta-feira 8, o Departamento de Estado americano afirmou estar “profundamente preocupado” com a medida adotada pelo governo Lula (PT). Segundo Washington, permitir que Cherkasov deixe o Brasil pode “enfraquecer os esforços internacionais para combater operações de inteligência estrangeira e comprometer a cooperação entre países nessa área”.

Mas a reação dos Estados Unidos vai além da expulsão em si. O motivo é que Washington tentava, há anos, obter a extradição de Cherkasov para que ele respondesse à Justiça americana por acusações de espionagem, fraude e lavagem de dinheiro relacionadas à atuação dele em território dos EUA. Com a decisão brasileira de expulsá-lo, o entendimento do governo americano é que aumentam as chances de o russo retornar ao seu país antes de enfrentar essas acusações.

Na nota oficial, os EUA afirmaram que a decisão brasileira “enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas”. O governo norte-americano também declarou que o Brasil deveria considerar o precedente criado pela medida e continuar cooperando para responsabilizar pessoas que representem ameaça à segurança coletiva.