Políticas públicas, mesmo baseadas em evidências, precisam ser monitoradas continuamente pelas autoridades para que se produzam diagnósticos de resultados.

Pesquisa realizada pelos economistas Ricardo Paes de Barros e Laura Müller Machado, do Insper, evidencia tal necessidade no caso do modelo de horário integral no ensino médio, no qual a carga de estudos e atividades escolares é de no mínimo 7 horas por dia ou 35 horas semanais —ante a de 5 horas por dia do ensino regular nessa etapa.

O estudo se baseou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), cuja edição mais recente é de 2023. De 2019 a 2023, a nota média das escolas de tempo integral no ensino médio caiu de 4,51 para 4,44 pontos, enquanto a das escolas do modelo regular subiu de 4,12 para 4,21.

Apesar de o desempenho dos alunos que passam mais tempo na escola ainda ser maior, a diferença entre os dois modelos diminuiu 40% no período. Segundo os pesquisadores, o tamanho e a velocidade da redução são inesperados, o que é preocupante.

Em 2019, estudo de Paes de Barros e Machado havia verificado que a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio integral era superior à dos jovens no modelo regular —pesquisa da USP de 2024, que analisou o 5º e o 9º ano do ensino fundamental paulista entre 2013 e 2019, chegou à conclusão similar.