Num artigo recente, Betania Tanure, referência em consultoria reputacional para empresas, destacou uma frase que me chamou a atenção: "A foto do gato não é o gato". A afirmação parece simples, mas carrega uma mensagem importante para o mundo das organizações: aquilo que as empresas projetam –em comunicações, campanhas e discursos– nem sempre revela, por completo, o que de fato elas são.

Muitas organizações comunicam como se já fossem aquilo que estão tentando se tornar. Existe um descompasso entre identidade aspiracional e experiência real, uma espécie de "dismorfia organizacional", em que a narrativa não acompanha a prática. É um alerta para a dificuldade de enxergar, de dentro, as próprias incoerências e limites.

É nesse ponto que o papel do profissional de reputação ganha complexidade. Por muito tempo, a área de comunicação foi vista pelo papel de traduzir estratégia em narrativa. Hoje, as áreas são responsáveis por conectar realidade. Quando vemos o estudo da Page Society, que traz que mais de 75% dos orçamentos de comunicação cresceram ou se mantiveram estáveis nos últimos dois anos, notamos que o mercado entendeu a importância dessa evolução.

Há uma compreensão maior de que a comunicação precisa atuar também de fora para dentro, trazendo repertório, leitura de contexto e, principalmente, evidências de onde a narrativa não se sustenta. Profissionais de reputação atuam como conselheiros da liderança, influenciam decisões e ajudam a antecipar riscos.