A Câmara dos Deputados destinou 1,3 bilhão de reais em emendas de comissão no orçamento de 2025 sem identificar quais congressistas de fato indicaram os beneficiários dos recursos. É o que aponta um estudo divulgado nesta segunda-feira 13 pela organização Transparência Brasil, que batizou a prática de “emendas de liderança” – indicações registradas em nome da liderança partidária, e não do deputado que efetivamente escolheu para onde o dinheiro público iria.
O valor equivale a 16% dos 7,9 bilhões de reais movimentados pela Câmara nessa modalidade de emenda no ano passado.
Segundo o relatório, sete bancadas recorreram ao mecanismo em 2025: Progressistas, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade. O PP concentrou a maior fatia, com 427,7 milhões de reais, cerca de um terço do total das emendas de liderança, dos quais mais da metade foi indicada para o Piauí, estado do presidente do partido, Ciro Nogueira. Já o Rio de Janeiro, base do líder da bancada na Câmara à época, o deputado Dr. Luizinho, recebeu apenas uma fração desse montante.
A Transparência Brasil argumenta que esse padrão de dispersão geográfica indica que as decisões não partiram de fato dos líderes formais, mas de múltiplos deputados de suas bancadas cuja identidade não é revelada nos documentos oficiais.












