Ampliação da ajuda a Kiev ocorre enquanto a escassez de equipamentos deixou ucranianos cada vez mais vulneráceis a mísseis balísticos da Rússia Um militar da 25ª Brigada Aerotransportada Separada das Forças de Assalto Aéreo da Ucrânia se prepara para lançar um drone de ataque médio Hornet contra tropas russas a partir de uma posição próxima à linha de frente, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia , na região de Donetsk, Ucrânia, em 23 de junho de 2026 — Foto: Foto tirada com um celular. REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo Aliados ocidentais tentarão garantir novos compromissos de apoio à defesa aérea da Ucrânia quando se reunirem em Paris nesta segunda-feira. A ampliação da ajuda a Kiev ocorre enquanto a escassez de equipamentos deixou o território ucraniano cada vez mais vulnerável a mísseis balísticos russos, apesar das recentes mudanças na dinâmica do campo de batalha. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participará da reunião da Coalizão dos Dispostos ao lado de pelo menos outros 25 líderes, como parte de esforços mais amplos que incluem a formulação de uma posição comum a ser apresentada à Rússia e a definição de garantias de segurança para respaldar um eventual acordo de paz. Em conversa com jornalistas, uma autoridade da Presidência da França disse que o foco será a cooperação em defesa antibalística, desde a obtenção de mais mísseis interceptadores Patriot dos EUA e o avanço da implantação do sistema franco-italiano de defesa aérea SAMP-T até a avaliação de como as indústrias de defesa europeia e ucraniana podem desenvolver alternativas. Nove países, entre eles Itália, Alemanha, Suécia, Dinamarca e Noruega, se reunirão com cerca de uma dúzia de empresas, incluindo a fabricante do SAMP-T Eurosam, além de Leonardo, Thales e Saab, antes da cúpula, para pressioná-las a ampliar seus esforços na área de defesa aérea, disseram diplomatas. Segundo eles, é provável que seja anunciado o lançamento formal do projeto Freyja, iniciativa da Ucrânia para desenvolver uma alternativa ao sistema Patriot, com apoio europeu e menor custo. O presidente francês, Emmanuel Macron, Zelensky e autoridades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também participarão da reunião. Uma das opções em análise é que diferentes países europeus cooperem no desenvolvimento de um sistema que complemente o SAMP-T e/ou o Patriot e atribua à Ucrânia um papel relevante na produção. O encontro desta segunda-feira será realizado poucos dias após uma cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, que buscou demonstrar unidade transatlântica e apoio de longo prazo à Ucrânia. A Ucrânia enfrenta uma escassez crítica de munições para seus sistemas de defesa e, no último mês, tem sido amplamente incapaz de interceptar mísseis balísticos, que viajam a velocidades várias vezes superiores à do som. O país tem apelado aos aliados por mais fornecimentos e também pressionado a Europa para desenvolver, em parceria com Kiev, seu próprio sistema de defesa aérea antibalística. "Os mísseis balísticos lançados por Vladimir Putin atingem deliberadamente áreas civis, e junho foi um dos meses mais mortais desde o início da guerra", afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, em entrevista publicada no domingo pelo jornal Ouest-France. Bombeiros trabalham no local de um prédio de apartamentos atingido por um ataque de drone russo, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia , em Zaporizhzhia, Ucrânia, em 13 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer A Rússia intensificou os ataques contra Kiev e a região ao redor nas últimas semanas, matando dezenas de pessoas. Autoridades afirmaram que ataques russos com mísseis e drones em toda a Ucrânia no sábado deixaram oito mortos e muitos outros feridos. "Hoje, mais uma vez, os russos 'triunfaram' sobre alvos absolutamente civis", escreveu Zelensky em uma publicação nas redes sociais após novos ataques nesta segunda-feira. "A pressão sobre a Rússia precisa funcionar. Novas sanções contra o agressor. Novos pacotes de apoio à Ucrânia. Novos projetos — como o nosso projeto europeu antibalístico FREYJA. Tudo isso precisa funcionar”, prosseguiu. A Rússia afirma que ataca apenas alvos de relevância militar e nega atingir civis. Em Paris, os líderes também discutirão formas de reduzir as fontes de receita de Moscou, especialmente a chamada "frota fantasma", composta por petroleiros com estruturas de propriedade pouco transparentes utilizadas para driblar a fiscalização e transportar petróleo russo. A União Europeia deve adotar, na próxima semana, um 21º pacote de sanções contra a Rússia. Macron prometeu anúncios nesta segunda-feira, alguns deles de caráter bilateral, possivelmente relacionados à produção conjunta de armamentos. Ele também afirmou que a coalizão poderá anunciar exercícios militares conjuntos, à medida que busca transformar o conceito de uma futura Força Multinacional na Ucrânia (MNFU, na sigla em inglês) em uma iniciativa mais concreta. "O que deve ser lembrado é que a MNFU é composta por componentes terrestre, aéreo, marítimo e de treinamento. Todos esses pilares devem ser continuamente testados, em diferentes níveis, com a participação de todos os envolvidos, para garantir sua credibilidade", afirmou a autoridade. "Não se trata de realizar exercícios na Ucrânia."