A região radioativa ao redor de Tchernóbil, na Ucrânia, tornou-se um improvável refúgio para a vida selvagem. Após o derretimento do reator em 1986, quase todos os moradores foram retirados dali e o acesso à área passou a ser restrito. As florestas se regeneraram e as populações de animais selvagens prosperaram.
Em 2020, Svitlana Kudrenko, então doutoranda em conservação da natureza, decidiu estudar a abundância e a diversidade desses animais. Ela instalou câmeras de monitoramento por toda a Zona de Exclusão de Tchernóbil, de cerca de 2.600 quilômetros quadrados.
No início de 2022, quando as tropas russas invadiram a Ucrânia e ocuparam Tchernóbil, as câmeras continuaram funcionando.
Kudrenko e seus colegas analisaram as filmagens e descobriram que, embora a ocupação de Tchernóbil tenha durado pouco mais de um mês, a guerra pareceu provocar mudanças significativas no comportamento de animais selvagens, alterando seus padrões de atividade. Eles descreveram seus achados na revista Science, em junho deste ano.
Os efeitos foram complexos, com espécies respondendo às atividades militares de diferentes formas. Alguns animais fugiram, enquanto outros se refugiaram na floresta.







