Grupo tem mais de cem escolas, como Anglo Leonardo da Vinci (SP) e Marília Mattoso (RJ) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 André Aguiar, CEO e fundador da Rede Inspira de Educadores, na sede da companhia, no Centro do Rio — Foto: Beatriz Orle/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 20:08 Grupo Inspira Foca em Internacionalização e Qualidade Educacional Após anos de expansão por aquisições, o grupo educacional Inspira, dono de mais de cem escolas no Brasil, muda sua estratégia para focar na internacionalização e qualidade de ensino. Com apenas uma compra em 2023, o grupo visa converter suas unidades ao currículo International Baccalaureate (IB) e investir em tecnologia para melhorar o desempenho no Enem. A Inspira também busca reduzir endividamento, com apoio de investimentos significativos da Advent e do BTG Pactual. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após anos comprando colégios em série, em uma estratégia que atingiu 105 unidades Brasil afora — do Anglo Leonardo da Vinci (SP) ao Marília Mattoso (RJ) —, a Inspira decidiu olhar mais para dentro do que para fora dos muros das escolas. Se as aquisições não acabaram, o ritmo é outro — houve apenas uma este ano, contra 14 em 2020 —, e a meta tem mais a ver com currículo do que com cifras: turbinar sua carteira de escolas internacionais, atendendo à cobiça por bilinguismo nas classes médias que são seu público-alvo. — A cabeça sempre foi investir em crescimento via aquisições, mas vimos que era hora de crescer também a partir do que a gente já tem. Assumimos a missão de ser a força motriz da internacionalização das escolas brasileiras. O Brasil é um dos países que menos falam inglês no mundo. Por isso, estamos fazendo compras mais estratégicas, com foco nas escolas já internacionais — diz o fundador e CEO André Aguiar, engenheiro formado no IME que vem cobrindo suas próprias lacunas no idioma com a ajuda do filho de 11 anos. Não à toa, a única aquisição da Inspira até agora no ano foi a da International School of Cuiabá (ISC). Está prevista mais uma compra com esse perfil até dezembro, em São Paulo, além da incorporação de uma escola com viés tradicional no Nordeste e outra de “performance” (aprovações em vestibulares) em Brasília. ‘Gringos’ no limite? Nessa seara, a Inspira disputa sobretudo com “gringos”. Levantamento recente do Valor Econômico mostrou que cinco grupos ingleses e um suíço já compraram 20 escolas no Brasil, entre elas Eleva e Avenues. Aguiar acredita, porém, que o fôlego externo também deve desacelerar. — Quem está no Brasil já está praticamente no teto de suas exposições ao país. Eu me surpreenderia se algum deles fizesse uma nova compra no Brasil — prevê. Com menos aquisições, a estratégia da Inspira tem sido converter suas escolas em instituições com currículo International Baccalaureate (IB), certificado por uma entidade suíça e cujos diplomas são aceitos em universidades dos EUA e da Europa. Segundo Aguiar, embora a Inspira já seja a maior operadora de escolas IB no país, na América Latina ela ainda está atrás da ISP, companhia inglesa dona de escolas brasileiras como Albert Sabin e Internacional de Alphaville e que também opera na Argentina, na Colômbia e no México. — Mas estamos atrás por apenas uma escola e acreditamos que vamos ultrapassá-los este ano. Vamos fechar o ano com 20 escolas IB, contra 12 hoje. No Rio, o Marília Mattoso está na fila — diz o CEO da Inspira, que tem cerca de 60 mil alunos e tíquete médio de R$ 2,5 mil, resultando em um faturamento da ordem de R$ 1,8 bilhão. — É um processo que também faz sentido para o negócio. As escolas que estão virando IB crescem em número de alunos. Tecnologia Paralelamente à internacionalização, a Inspira diz estar dobrando a aposta em métricas de qualidade do portfólio. A companhia criou uma vice-presidência de "performance" comandada por executivos egressos do IME e do ITA. Entre as atribuições da equipe está o incentivo à participação em olimpíadas estudantis que estão fora do radar, de astronomia a uma competição internacional que emula escuderias de F1. A Inspira calcula que 35 mil alunos seus participem dessas competições, dos quais 18 mil já ganharam alguma medalha. Aguiar sustenta que a obsessão por olimpíadas não é fruto de estratégia de marketing, mas uma ferramenta de avaliação. — Eu consigo acompanhar melhor a evolução dos alunos muito antes do vestibular — justifica. Outra atribuição do time de performance é usar tecnologia para aumentar os resultados no Enem. — Tivemos uma melhora nos rankings do Enem muito graças a um salto em redação. Parte desse desempenho se deve ao investimento em uma inteligência artificial (IA) que corrige os textos dos alunos, permitindo que escrevam mais redações. Também criamos uma máquina que tenta "adivinhar" o que vai cair no Enem. Ela "lê" o espectro político e o noticiário, por exemplo. A partir daí, a gente gera 40 temas que podem cair — afirma. Sem pressa De acordo com Aguiar, enquanto desacelerava as aquisições, a Inspira reduzia sua alavancagem. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que chegou a ser de três vezes em 2023, está perto de zero, segundo o fundador. Nesse período, a companhia também recebeu um cheque de R$ 1 bilhão do fundo de investimentos americano Advent. Hoje, o veículo internacional divide o controle da Inspira com fundos do BTG Pactual, que haviam comprado a maior parte da rede em 2020 com um aporte de R$ 350 milhões. Entre os investidores que entraram com a Advent está o CPP Investments, fundo de pensão canadense. — Essa estratégia (de fazer menos aquisições e reduzir o endividamento) faz sentido diante do nível de juros e em um país sem IPOs à vista. A gente investe em educação para os públicos A e B, que são mais resilientes, e não temos qualquer pressa para abrir capital. O IPO ainda está nos planos, mas não precisamos fazê-lo. Damos lucro desde o ano passado — sustenta.
De IA que ‘adivinha’ tema do Enem às escola internacionais: o novo momento da Inspira
Grupo tem mais de cem escolas, como Anglo Leonardo da Vinci (SP) e Marília Mattoso (RJ)






