Entidades da indústria fonográfica querem identificar faixas produzidas totalmente ou parcialmente com inteligência artificial para dar mais transparência aos ouvintes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Indústria fonográfica quer selo para canções feitas com IA — Foto: Freepik A indústria fonográfica internacional propôs a criação de um sistema de identificação para músicas produzidas com inteligência artificial, segundo a revista Rolling Stone. A iniciativa, anunciada pela Recording Industry Association of America (RIAA), responsável pelo Grammy e por outras entidades do setor, prevê a adoção de selos voluntários para informar aos ouvintes se uma faixa foi criada totalmente por IA ou se utilizou a tecnologia como ferramenta de apoio. A proposta prevê a inclusão de marcadores digitais semelhantes aos utilizados atualmente para indicar conteúdo explícito nas plataformas de streaming, atualmente sinalizado com uma letra E. Um selo preto com as letras "AI" destacadas identificaria músicas totalmente geradas por inteligência artificial, enquanto um selo branco com "ai" em letras minúsculas seria reservado para canções produzidas por artistas humanos com auxílio da tecnologia. Segundo as entidades, o objetivo é oferecer mais transparência ao público diante da rápida expansão da inteligência artificial na produção musical. — Os fãs querem saber se e como a IA generativa foi utilizada nas músicas que ouvem. Dada a importância da arte humana e da autenticidade para os amantes da música em todo o mundo, esses rótulos oferecerão uma abordagem de transparência de fácil compreensão e escalabilidade — afirmaram, em comunicado conjunto, Vikki Oakley, CEO da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), e Mitch Glazier, presidente e CEO da RIAA. Selos propostos pela Associação de Gravadoras para músicas feitas com IA — Foto: Divulgação / RIAA As organizações destacam que a proposta não pretende condenar o uso da tecnologia, mas diferenciar as músicas inteiramente produzidas por inteligência artificial daquelas em que a IA foi utilizada apenas como ferramenta criativa. — Esses novos rótulos ajudarão os ouvintes a distinguir entre gravações totalmente feitas por IA e aquelas em que a IA foi utilizada por artistas humanos de forma limitada — diz o comunicado. Harvey Mason Jr., CEO da Academia do Grammy, afirmou que a medida busca preservar a confiança entre artistas e público. — À medida que a IA continua sendo integrada ao processo criativo, tanto artistas quanto fãs merecem uma forma clara de saber como e quando ela está sendo utilizada. Essa iniciativa garante que a criatividade, a autoria e a intenção artística permaneçam no centro de cada música — declarou. A proposta surge em meio ao crescimento acelerado da produção musical com inteligência artificial. Segundo dados citados pelas entidades, a plataforma Deezer informou que músicas geradas por IA já representam 44% de todos os novos envios recebidos pelo serviço. Já a Apple Music afirmou que cerca de um terço das novas faixas enviadas à plataforma é composto por músicas produzidas integralmente por inteligência artificial. Distribuidoras musicais também vêm buscando filtrar as produções feitas por IA para que a remuneração aos artistas reais não sejam afetados, além de serviços de streaming, que buscam remover algumas das faixas feitas com inteligância artificial. A nova tecnologia inunda as lojas virtuais, mesmo que não tenham fãs reais. Ainda segundo a Apple Music, 65% das faixas geradas por IA nunca receberam uma única reprodução. “Desenvolvemos tecnologia internamente que nos permite ver exatamente que tipo de música está sendo entregue e qual modelo de IA foi utilizado”, afirmou Oliver Schusser, vice-presidente da Apple Music, em entrevista à Billboard, em abril. Apesar do anúncio, ainda não há definição sobre quando — ou mesmo se — os principais serviços de streaming passarão a adotar os novos selos em suas plataformas.